“Falta de água vai ser a próxima pandemia em termos de baixas humanas”: responsável alerta para a necessidade de conversas ibéricas sobre a seca

Rui Godinho, presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, garante que faltam decisões políticas fortes, de continuidade

Revista de Imprensa

Portugal atravessa um período de seca severa (55,2%) ou extrema (44,8%), alertou o Relatório de Monitorização Agrometeorológica e Hidrológica feito pelo Grupo de Trabalho de assessoria técnica à Comissão de Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que elucidou sobre a difícil situação que o país atravessa devido à falta de água.

Mas a seca não dá mostras de abrandar, segundo Rui Godinho, presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA). “Gostava de ter uma expectativa mais positiva em relação a este assunto, mas a verdade é que se pensa que a situação será grave”, frisou, em declarações ao ‘Diário de Notícias’.

“O relatório é feito mensalmente desde 2017, um ano gravíssimo em termos de seca porque foi muito além do verão. E cada vez mais vemos que a seca é uma questão sistémica”, apontou o responsável, acrescentando: “A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”, não só a nível nacional.”

A recente manifestação dos agricultores espanhóis em León, que exigiram o fim do Acordo de Albufeira, é um “exemplo concreto” de que faltam “soluções políticas concretas” para resolver a questão da seca na Península Ibérica.

“Não se entende como é que o tema da água, e da seca em concreto, não se discute ao nível das cimeiras ibéricas que se realizam”, referiu Rui Godinho. “Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta então? Decisão políticas fortes, de continuidade.”

Continue a ler após a publicidade

A discussão entre Portugal e Espanha é bem-vinda, garantiu o responsável. “Todas as iniciativas de diálogo entre ambas as partes são mais do que bem-vindas. Este é ou devia ser o caminho”, referiu, alertando: “Apesar disso, e de serem dados passos mais técnicos para certas situações – como o foco em soluções para compensar a falta de volume nos caudais -, é importante que haja um diálogo institucional nas esferas mais altas também, não apenas ao nível das associações.”

“O custo de não tomar medidas concretas é muito maior do que qualquer investimento que se faça para prevenir e combater a seca. Já para não falar dos custos económicos e humanos associados à seca”, precisou o líder da APDA, garantindo que “a falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.