Saúde mental: Antidepressivos funcionam apenas para 15% dos pacientes, indica estudo

Estudo, que examinou 232 ensaios controlados por placebo de 73.388 pacientes diagnosticados com transtorno depressivo maior, sugeriu que os ingredientes ativos em 10 dos medicamentos antidepressivos mais prescritos fizeram uma diferença significativa em apenas 15% dos pacientes que os tomaram

Francisco Laranjeira

Fundamentais para o tratamento da depressão quando foram lançados na década de 1980, os ISRS (Inibidor seletivo de recaptação de serotonina) tornaram-se um dos pilares do tratamento da saúde mental. Em 2019, um em cada oito americanos (num total de 43 milhões) estavam a tomar ISRS, um número que provavelmente terá aumentado entre um público que ‘atravessou’ a pandemia da Covid-19.

No entanto, um estudo recente apontou que apenas 15% dos pacientes obtêm mais benefícios ao tomar o medicamento do que placebo – além do mais, os sintomas de abstinência para utilizadores de longo prazo pode ser mais graves, piores até do que o distúrbio original. Segundo dados do CDC (Centro de Controlo e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos, mais de 60% dos americanos que usam ISRS tomam os medicamentos há mais de dois anos e seis milhões há mais de uma década. Alguns pacientes permanecem no ISRS simplestemente para evitar os sintomas de abstinência.

“As pessoas melhoram com o medicamento – mas na grande maioria dos casos não é por causa do que está no medicamento”, revelou Irving Kirsch, diretor associado do Programa de Estudos Placebo e do Encontro Terapêutico do Beth Israel Deaconess Medical Center e da Faculdade de Medicina de Harvard. “Existem outros tratamentos que são pelo menos igualmente eficazes e que não apresentam riscos.”

A questão tem dividido a comunidade psiquiátrica: alguns médicos e investigadores têm pedido uma nova abordagem para o tratamento dda depressão que inclua a redução do uso de ISRS. Outros, incluindo as empresas farmacêuticas, insistem que os medicamentos salvam vidas e mostraram preocupação que os estudos possam colocar em dúvida a eficácia dos ISRS.

Uma equipa de investigadores da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, com Irving Kirsch, um crítico de longa data dos medicamentos, publicou a análise mais abrangente até hoje de todos os antidepressivos. O estudo, que examinou 232 ensaios controlados por placebo de 73.388 pacientes diagnosticados com transtorno depressivo maior, sugeriu que os ingredientes ativos em 10 dos medicamentos antidepressivos mais prescritos fizeram uma diferença significativa em apenas 15% dos pacientes que os tomaram, quase sempre em casos de pacientes que sofrem de depressão mais grave – ou seja, os ingredientes ativos dos ISRS podem fazer a diferença em pacientes com depressão grave e por isso com uma utilidade marginal para aqueles que sofrem de depressão leve ou moderada.

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No efeito placebo, o simples ato de tratar um paciente cria uma expectativa de cura que resulta numa melhora na condição do paciente – estudos anteriores apontam que o efeito placebo é bem-sucedido em 30 e 40% dos casos de depressão.

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