O discurso do presidente russo, Vladimir Putin, é para ser levado a sério: as reações do mundo ocidental à mobilização parcial na Rússia, assim como as ameaças nucleares do líder russo, demonstram preocupação com as intenções do Kremlin na Ucrânia. Disso mesmo deu conta a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Gillian Keegan.
“Claramente é algo que devemos levar muito a sério porque não estamos no controlo. Não tenho a certeza se ele estará no controlo também. Isto é obviamente uma escalada”, precisou a responsável. “É assustador. É uma ameaça séria mas que já foi feita antes”, explicou, frisando que o “discurso geral claramente foi mais uma mentira de Putin”.
Melinda Simmons, embaixadora da Grã-Bretanha na Ucrânia, é d amesma opinião. “Assisti ao discurso de Putin. Ele recusa-se a entender a Ucrânia. A mobilização parcial e os referendos falsos não mudam essa fraqueza essencial”, apontou, na rede social Twitter.
Watched Putin’s speech. He still refuses to understand Ukraine. Partial mobilisation and sham referenda don’t change that essential weakness.
— Melinda Simmons (@MelSimmonsFCDO) September 21, 2022
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O secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, emitiu um comunicado em resposta ao discurso de Vladimir Putin. “A quebra do presidente Putin das suas próprias promessas de não mobilizar parte da população e a anexação ilegal de partes da Ucrânia são uma admissão de que a sua invasão está a falhar. Ele e o seu ministro da Defesa enviaram dezenas de milhares dos seus próprios cidadãos para a morte, mal equipados e mal conduzidos. Nenhuma quantidade de ameaças e propaganda pode esconder o facto de que a Ucrânia está a ganhar esta guerra, a comunidade internacional está unida e a Rússia está a tornar-se um pária global.”
A embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia, Bridget Brink, revelou que os territórios ucranianos ocupados nunca serão reconhecidos. “Os referendos fraudulentos e a mobilização são sinais de fraqueza, de fracasso russo. Os Estados Unidos nunca reconhecerão a reivindicação da Rússia em relação a territórios ucranianos supostamente anexados, e continuaremos a estar com a Ucrânia pelo tempo que for necessário”, apontou, no Twitter.
Sham referenda and mobilization are signs of weakness, of Russian failure. The United States will never recognize Russia's claim to purportedly annexed Ukrainian territory, and we will continue to stand with Ukraine for as long as it takes.
Continue a ler após a publicidade— Ambassador Bridget A. Brink (@USAmbKyiv) September 21, 2022
“A mobilização parcial anunciada por Vladimir Putin é uma tentativa de escalar ainda mais a guerra lançada pela Rússia na UcrÂnia e mais uma prova de que a Rússia é o único agressor. A ajuda à Ucrânia é necessária e temos de continuar a fazê-lo no nosso próprio interesse”, escreveu Petr Fiala, primeiro-ministro da Chéquia.
Častečná mobilizace, kterou vyhlásil V. Putin, je snahou o další eskalaci Ruskem rozpoutané války na Ukrajině a dalším důkazem toho, že jediným agresorem je právě Rusko.
Pomoc Ukrajině je potřeba a musíme v ní v našem vlastním zájmu pokračovat.
— Petr Fiala (@P_Fiala) September 21, 2022
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O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China pediu, esta quarta-feira, a todas as partes que se envolvam em diálogo e consulta e encontrem uma maneira de abordar as preocupações de segurança de todas as partes. “A posição da China sobre a Ucrânia é consistente e clara”, apontou o porta-voz do ministério, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.
A mobilização da Rússia foi um passo previsível que vai ser extremamente impopular e ressalta que a guerra não está a ir de acordo com os planos de Moscovo, denunciou o assessor da presidência ucraniana, Mykhailo Podolyak, em declarações à agência ‘Reuters’, sublinhando que Putin estava a tentar transferir a culpa pelo início de uma “guerra não provocada” e pelo agravamento da situação económica da Rússia para o Ocidente.
“Apelo absolutamente previsível, que mais parece uma tentativa de justificar o seu próprio fracasso”, escreveu Podolyak. “A guerra claramente não está a ir de acordo com o cenário da Rússia e, portanto, exigiu que Putin tomasse decisões extremamente impopulares para mobilizar e restringir severamente os direitos das pessoas”, finalizou.



