Ministério Público tem sete padres sob investigação por alegados abusos sexuais

Audição das supostas vítimas será a prioridade dos magistrados, no sentido de apurar se existe motivo para investigação e eventuais detenções

Revista de Imprensa

Há sete padres na mira do Ministério Público que são suspeitos de abusos sexuais sobre menores, avançou esta quarta-feira o jornal ‘Correio da Manhã’ – a denúncia foi feita pelo padre ‘Cardoso’ (que não quis ser identificado) depois de a Comissão de Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa ter pedido que colocasse por escrito aquilo que denunciara oralmente. Tratam-se de casos de abusos com mais de 30 anos: quatro são públicos, dois são atribuídos a sacerdotes já falecidos e um recai sobre um padre que já não exerce.

O padre ‘Cardoso’ sistematizou igualmente uma série de informações relativas aos suspeitos e a várias supostas vítimas. A audição das supostas vítimas será a prioridade dos magistrados, no sentido de apurar se existe motivo para investigação e eventuais detenções.

Segundo o jornal ‘Expresso’, um dos nomes da lista é o sacerdote Nuno A, que se encontra num santuário numa capital europeia, que terá sido investigado em 2012 pela Igreja e pela Polícia Judiciária, tendo o caso sido arquivado. Foi revelado também o padre Manuel M., afastado das atividades pastorais desde o início do ano, suspeito de abusos ocorridos há mais de 30 anos quando liderava uma paróquia de Lisboa. O padre José C., capelão em dois hospitais, também é suspeito. Por último consta Manuel A., colaborador de duas paróquias em Lisboa.

A Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica em Portugal reuniu-se na passada 2ª feira com o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa em Fátima. A Comissão presidida pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht vai concluir o seu relatório em dezembro, “prevendo-se a sua divulgação pública para meados de janeiro de 2023”, garantiu a Conferência Episcopal.

Até agora, a Comissão Independente recebeu 362 queixas. Dezassete delas foram enviadas para a Justiça, das quais resultaram dez inquéritos, que estão em curso.

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