As Nações Unidas garantiram existir relatos “credíveis” de que as forças russas enviaram crianças ucranianas para a Rússia para adoção como parte de um programa de realocação forçada e deportação em larga escala. Ilze Brands Kehris, secretária-geral adjunta da ONU para direitos humanos, frisou, na reunião do Conselho de Segurança da ONU, que as forças russas também estão a realizar operações de “filtragem” nas quais ucranianos em territórios ocupados enfrentam verificações de segurança sistemáticas que envolveram “numerosas” violações dos direitos humanos.
“Houve alegações credíveis de transferências forçadas de crianças desacompanhadas para o território ocupado pela Rússia ou para a própria Federação Russa”, denunciou Kehris. “Estamos preocupados que as autoridades russas tenham adotado um procedimento simplificado para conceder a cidadania russa a crianças sem cuidados parentais e que essas crianças sejam elegíveis para adoção por famílias russas”, disse.
Os procedimentos de filtragem de adultos ucranianos considerados próximos do Governo ou militares ucranianos envolveram tortura e a transferência para colónias penais russas e outros centros de detenção, disse Kehris.
“Nos casos que o nosso escritório documentou, durante a ‘filtragem’, as forças armadas russas e grupos armados afiliados submeteram pessoas a revistas corporais, às vezes envolvendo nudez forçada e interrogatórios detalhados sobre antecedentes pessoais, laços familiares, visões políticas e lealdades do indivíduo em questão”, denunciou. “Estamos particularmente preocupados que mulheres e meninas estejam em risco de abuso sexual durante os procedimentos de ‘filtragem’.”
A embaixadora dos Estados Unidos, Linda Thomas-Greenfield, apontou igualmente na reunião que estimativas de várias fontes, incluindo o Governo russo, indicam que as autoridades russas interrogaram, detiveram e deportaram à força entre 900 mil e 1,6 milhões de ucranianos – milhares de crianças foram submetidas a filtragem, “algumas separadas das suas famílias e levadas de orfanatos antes de serem colocadas para adoção na Rússia”. Segundo informações dos Estados Unidos, “mais de 1.800 crianças foram transferidas de áreas da Ucrânia controladas pelos russos para a Rússia” apenas em julho.
Acusando o Ocidente de tentar manchar o seu país , o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, rejeitou as alegações, chamando-as de “infundadas”. “Até onde podemos julgar, procedimentos semelhantes são aplicados na Polónia e em outros países da União Europeia contra refugiados ucranianos”, explicou, considerando que as alegações feitas na reunião são “um novo marco na campanha de desinformação das nações ocidentais”.





