Liz Truss é a nova Primeira-ministra do Reino Unido

Liz Truss, que tem como ídolo Margaret Thatcher, acaba de ser confirmada como a nova Primeira-ministra do Reino Unido, depois de ter sido eleita para a liderança do Partido Conservador, atualmente na posse do governo do país.

Filipe Pimentel Rações

Liz Truss, que tem como ídolo Margaret Thatcher, acaba de ser confirmada como a nova Primeira-ministra do Reino Unido, depois de ter sido eleita para a liderança do Partido Conservador, atualmente na posse do governo do país.

Na votação interna do Partido Conservador, Truss conseguiu 81.326 dos votos, de um total de cerca de 180.000, contra os pouco mais de 60 mil conseguidos pelo concorrente Rishi Sunak, sucedendo a Boris Johnson na liderança partidária, depois de quase dois meses de corrida eleitoral.



Na terça-feira, Truss deslocar-se-á, junto com o cessante Boris Johnson, ao Castelo de Balmoral, na Escócia, onde está a Rainha Isabel II, que confirmá-la-á oficialmente como a nova Primeira-ministra do Reino Unido.

Com 47 anos, Truss será a terceira mulher a assumir o cargo de Primeira-ministra do Reino Unido, após Margaret Thatcher e Theresa May. Mas quem é aquela que é considerada por muitos como a nova “dama de ferro”?

Mary Elisabeth Truss, ou Liz Truss, como é hoje conhecida, nasceu em 1975, em Oxford, filha de um pai professor de matemática e de uma mãe enfermeira, no seio de uma família apoiante do Partido Trabalhista.

Depois de a família se ter mudado para Leeds, passou a frequentar a secundária pública de Roundhay. Já na idade adulta, estudou Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford, onde foi um elemento ativo nos órgãos de política estudantil, estando inicialmente integrada no movimento dos liberais-democratas.

Em 1994, numa conferência desse partido, defendeu a abolição da monarquia britânica, afirmando que os liberais-democratas “não acreditam em pessoas que nasceram para governar”. Contudo, foi ainda em Oxford que passou a ser militante do Partido Conservador.

Em 2001, concorreu ao Parlamento pelo círculo de Hemsworth, em West Yorkshire, mas saiu derrotada. Em 2005, voltou a concorrer, dessa vez por Calder Valley, também em West Yorkshire, mas, uma vez mais, não conseguiu assento parlamentar.

Contudo, em 2006 foi eleita para o órgão do governo local de Greenwich, no sudeste de Londres.

Em 2010, passou a integrar a lista de preferidos do então Primeiro-ministro David Cameron. Apesar da oposição interna, Truss acabou por conseguir concorrer e ganhar um lugar no Parlamento, eleita pelo círculo de South West Norfolk.

Nesse mesmo ano, foi autora do livro ‘Britannia Unchained’, com outros quatro colegas conservadores, no qual defendia um posicionamento mais forte do Reino Unido no palco mundial, cimentando as suas convicções face à desregulamentação dos mercados.

Dois anos depois, passou a fazer parte do governo, como ministra da Educação. Em 2014, foi nomeada secretária de Estado do Ambiente.

As reviravoltas no seu percurso político continuaram a acompanhar a vida de Truss na esfera pública. Depois de ter feito campanha pela manutenção do Reino Unido na União Europeia, a nova Primeira-ministra deu uma volta de 180 graus, passado a apoiar o Brexit, depois de o outro lado ter perdido a força.

Durante a liderança da Theresa May, Truss desempenho o cargo de Secretária de Estado da Justiça, antes de passar a assumir a dianteira do Ministério das Finanças.

Quando Boris Johnson conquistou o número 10 de Downing Street, Truss foi deslocada para a posição de secretária do comércio internacional. Em 2021, chegaria por fim aos Negócios Estrangeiros, um dos mais proeminentes cargos no aparelho de Estado britânico, sucedendo ao colega conservador Dominic Raab.

Durante a campanha, a nova Primeira-ministra, que assume a liderança numa altura em que o Reino Unido está mergulhado numa crise económica que tem vindo a delapidar o poder de compra dos britânicos, disse que “a minha prioridade é reduzir os impostos, para que as pessoas possam ficar com mais do seu dinheiro”. Ela garantiu ainda que pretende “aumentar o fornecimento de energia”, numa altura em que o país enfrenta uma subida exponencial dos preços da eletricidade e do gás, com várias organizações de defesa dos consumidores a alertarem que muitos britânicos serão empurrados para a ‘pobreza energética’, caso o governo não implemente medidas concretas e eficazes.

“Temos de garantir que produzimos mais energia, por exemplo no Mar do Norte, investir em tecnologia como o nuclear, e encontrar mais energia renovável”, sublinhou Truss.

Resta agora saber se a nova Primeira-ministra conseguirá dar resposta às preocupações da população britânica e manter o Partido Conservador à frente dos destinos do Reino Unido, ou se, por outro lado, não terá capacidade para mitigar as crises galopantes que se têm vindo a acumular e a pesar, cada vez mais, nos bolsos das famílias britânicas.

Líder do Conservadores, ma não dos britânicos

Liz Truss foi eleita pelos membros do Partido Conservador, mas apenas uma pequena fração da população considera que é a melhor escolha.

De acordo com uma sondagem da ‘YouGov’, somente 12% dos britânicos pensa que Truss será uma “boa” ou “grande” líder do Reino Unido, sendo que 52% dos respondentes consideram que ela será uma “má” ou “terrível” Primeira-ministra.

Apesar de estarem divididos sobre se Truss será realmente melhor do que Boris Johnson, muitos britânicos acreditam que será a pior líder do governo desde Margaret Thatcher.

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