A decisão de Marta Temido em abandonar a pasta da Saúde, esta terça-feira, não foi uma surpresa, segundo garantiu Xavier Barreto, presidente da Associação de Administradores Hospitalares, em declarações ao ‘Observador’. “Diria que se compreende, face à situação que a senhora ministra se foi colocando nos últimos meses. Não foi uma surpresa, era expectável que viesse a acontecer mais cedo ou mais tarde”, apontou o responsável.
“A ministra foi perdendo margem de diálogo, margem para motivar, para entusiasmar os profissionais do SNS, e os diferentes intervenientes que têm de estar motivados e que têm de estar com a ministra nas reformas que são necessárias executar no SNS e no seu funcionamento. O serviço de urgências é apenas um deles”, referiu Xavier Barreto.
“Temos de ter um ministro forte, uma forte capacidade de diálogo e com uma forte capacidade política para fazer valer dentro do ministério a necessidade de, por exemplo, reforçar o investimento no SNS”, reforçou. “No pós-pandemia, a ministra foi perdendo a capacidade de fazer essa mudança e [tinha] falta de capacidade política para dentro do Governo ter esse peso que é fundamental.”
“O senhor primeiro-ministro, ao aceitar esta demissão, já deve ter alguém em mente. Alguém conhecedor, com percurso no SNS, com capacidade técnica que deve aliar a uma capacidade política forte”, apontou.
“A Saúde tem uma tutela partilhada, o financiamento dedicado à Saúde é determinado pelo Ministério das Finanças que, em larga medida, tem um papel fundamental no SNS. Provavelmente o ministro das Finanças não conhecia as contas do SNS”, finalizou.



