O primeiro-ministro, António Costa, admitiu esta quarta-feira, em conferência de imprensa em Vila de Rei, que por detrás de cada um dos incêndios existe um “problema estrutural”.
Segundo o responsável, cada um dos incêndios começou “porque houve uma mão humana que deliberadamente ou por descuido provocou aquele incêndio”, afirmou.
“Grande parte do nosso território é uma grande mancha floresta, que infelizmente, está abandonada”, o que acontece “essencialmente pela hiperfragmentação da propriedade” que a levou a “perder valor económico”, sublinhou.
Como justificação dessa “hiperfragmentação”, o primeiro-ministro referiu que a floresta foi “perdendo valor. De geração em geração as propriedades foram ficando mais pequenas e cada vez mais ao abandono”, indicou.
“Muitas das propriedades já não tem um senhor que vive na terra, que sabe onde está o seu pinhal, que está preocupado com o que os filhos vão herdar um património”, acrescentou.
O governante disse ainda que “há muitas décadas, os gravetos serviam para fazer o lume. Hoje felizmente já não é preciso o graveto para nos alimentar”.
“Antigamente, o corte do pinheiro pagava ou a doença ou o estudo dos filhos, hoje em dia a economia e a sociedade já não têm esse grau de dependência. Antigamente, a resina era a receita que ajudava a compor o rendimento ao longo do ano. Hoje foi perdendo esse valor”, adiantou.
Para colmatar essas falhas e desafios, António Costa defendeu a necessidade de “reintroduzir riqueza na floresta para que esta deixa de ser uma ameaça mas um ativo”, até porque, o desconhecimento de que alguém é o proprietário dos terrenos faz com que haja um menor cuidados.
“Não basta investir na proteção civil, meios aéreos, bombeiros, não basta investir nos sapadores”, afirmou o responsável, que acrescentando que é necessário “atacar a causa estrutural”, que passa por saber o que cada um detém, concluiu.









