O desporto é uma boa pista de testes para ideias de gestão?

No desporto, como na vida, gerir é importante. De facto, graças ao seu enfoque nos resultados mensuráveis e às decisões tomadas rapidamente,o desporto revela muitas das questões mais importantes na gestão. O desporto oferece uma perspectiva única sobre liderança,gestão de desempenho, estratégia, inovação e, talvez o mais importante de tudo, gerir com dados.

Executive Digest

Depois de passar os últimos nove meses a apresentar o podcast de análise desportiva da MIT Sloan Management Review, descobri em primeira mão como muitos dos factores que estimulam o sucesso em campo se comparam aos que estimulam o sucesso nos negócios. Se ainda não tiveram oportunidade de ouvir o podcast ou se assumiram que não tem relevância por serem líderes, convido-vos a experimentarem.

Podem ficar surpreendidos com o que aprendem. Eis cinco práticas de gestão fundamentais exemplificadas pela perspectiva da analítica desportiva e de líderes de sucesso.

LIDERANÇA

Quando pensamos nos líderes pioneiros nos negócios – de Andy Grove da Intel, que ajudou a desenvolver Silicon Valley, a Meg Whitman, que liderou o eBay e o fez ter um crescimento fenomenal na turbulenta era das dot-com – não é difícil nomear algumas das pessoas que transformaram organizações e mudaram para sempre a prática da gestão.

O mesmo podemos dizer do desporto.Da mesma forma que acontece nos negócios, um grande líder no desporto pode desbloquear a superioridade de uma equipa e ter um papel crucial no seu sucesso. No episódio “Qual a importância real dos treinadores?”, analisamos se os treinadores são sempre um factor X.

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O episódio analisa histórias de sucesso recentes, com pesquisas de convidados da Universidade de Chicago, para responderem à pergunta do dia: Qual a importância real dos treinadores?

GESTÃO DE DESEMPENHO

Raramente temos o contexto perfeito para tomar decisões sobre a melhor maneira de optimizar o desempenho. Por exemplo, somos frequentemente tentados a colocar o melhor talento nas questões mais urgentes ou importantes. Mas quando mudamos um talento de topo para um desafio novo, estamos também a afastá-lo de outra coisa.

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Quantas vezes nos damos ao trabalho de ter realmente em conta as consequências das nossas decisões em relação à optimização do desempenho? Vejamos a recente tendência da NBA de fazer “gestão de carga”, a prática de deixar no banco jogadores importantes num calendário predefinido para os manter saudáveis e descansados para o que pode ser uma temporada regular longa e cansativa.

Quando estrelas da NBA como Steph Curry, Joel Embiid ou Kawhi Leonard recebem uma noite de descanso planeada, o impacto da sua ausência não se sente apenas em campo – é também uma questão financeira. Os fãs não obtêm aquilo que querem, o preço no mercado secundário de bilhetes desce ou as equipas lidam com cadeiras vazias e audiências deprimentes – as consequências da ausência planeada de uma grande estrela ecoam no desporto.

Mas quanto é que todos perdem quando as estrelas ficam de fora – e quais as ausências que provocam os maiores buracos nos bolsos da NBA? Para chegar ao fundo de uma das maiores questões financeiras da NBA, falámos com Scott Kaplan, que apresentou um relatório onde delineou os efeitos das estrelas da NBA na Sloan Sports Analytics Conference de 2019.

RECRUTAMENTO E GESTÃO DE TALENTO

Como se costuma dizer, talento de topo custa dinheiro de topo. E se acreditam que 80% do valor é criado por 20% das pessoas de uma organização, a ideia de pagar mais por talento com provas dadas faz muito sentido. Mas há um problema: nunca se tem a certeza de que o desempenho no passado num determinado contexto é um bom indicador de desempenho futuro noutro contexto.

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É uma lição que os executivos do basebol já deviam ter aprendido no que toca aos agentes livres. Contudo, as provas sugerem que poucos o fizeram. Na verdade, quase todos os fãs das equipas conseguem apontar uma contratação sonante que depois não deu em nada. Por vezes as razões para o baixo desempenho são notórias – lesões, por exemplo.

Mas frequentemente é mais difícil apontar a causa. Nesses casos, tendemos a apontar a falta de esforço como culpada – o que os investigadores chamam de “shirking”. Segundo Richard Paulsen, que apresentou o relatório “Novas provas no estudo de shirking na Major League Baseball”, na Sloan Sports Analytics Conference, o «shirking ocorre quando um colaborador exerce um esforço… que é insuficiente aos olhos do colaborador».

Claro que isso não significa que exista sempre uma avaliação correcta da situação. Paulson falou connosco sobre a sua pesquisa e a sua crença de que os Phillies se irão arrepender de pelo menos uma contratação destas.

PLANEAMENTO DE CENÁRIOS

No basebol, a “mudança de campo” refere-se ao excesso de defesas na lateral do campo para onde um batedor normalmente atira a bola. Os apoiantes da mudança de campo acreditam que é uma estratégia sólida – ao cobrirem uma área do campo para onde é mais provável que a bola se dirija, as equipas têm mais hipóteses de sucesso.

Tal como em muitas estratégias nos negócios, a altura de usar a mudança de campo é uma questão de números. Depende da probabilidade de o batedor atingir a bola numa direcção, tendo em conta as suas tendências e as circunstâncias no terreno. É pensamento analítico em toda a sua glória.

Num dos nossos podcasts, com a ajuda de Jayson Stark, autor de livros sobre basebol, debatemos a versão desportiva do planeamento de cenários, na qual explorámos as possíveis consequências de banir a mudança de campo. Como se desenvolveria o jogo e o que isso significaria para a forma como as equipas tomam decisões internas, decidem convocatórias e atraem talento jovem.

TOMADA DE DECISÕES

É incrivelmente difícil julgar o talento individual na NFL, porque muita da capacidade de sucesso de um jogador baseia-se no contexto: os seus colegas de equipa e o sistema em que operam. Mas a necessidade de isolar o desempenho é enorme. Os que obtêm um método fiável terão uma enorme vantagem. Por onde começar?

Começa-se pela posição mais importante em campo, o “quarterback”. Depois, isola-se ainda mais para o que parece ser o maior diferenciador entre os quarterback de elite: as suas mentes. O derradeiro objectivo é compreender como um quarterback processa a informação e analisar os padrões que as suas mentes tendem a seguir – por outras palavras, monitorizar o cérebro de Tom Brady.

É essa a missão de Brian Burke da ESPN, que apresentou a sua pesquisa sobre aprendizagem profunda e sobre as decisões dos quarterback na Sloan Sports Analytics Conference. À medida que a ciência por trás do mapeamento do cérebro se desenvolve no desporto, as suas possíveis utilizações fora do desporto podem ser profundas.

Imaginem a lucidez que os executivos poderiam obter sobre as suas equipas e sobre si próprios ao compreenderem melhor os padrões das nossas mentes e a forma como processamos dados.

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