As conclusões da Conferência dos Oceanos, que termina esta sexta-feira em Lisboa, não serão vinculativas mas a esperança por avanços significativos na defesa do meio ambiente mantém-se, após um evento que juntou mais de 7 mil pessoas de 142 países no Parque das Nações, em Lisboa, entre políticos, organizações ambientalistas e agências internacionais.
O foco principal era, claro, a saúde dos oceanos no nosso planeta azul e avaliar como está a correr a aplicação do ponto 14 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, que diz respeito à conservação dos oceanos e ao uso sustentável dos recursos.
A Conferência dos Oceanos pautou-se por várias metas: redução da poluição, combate à pesca intensiva e insustentável e a luta contra a acidificação das águas, mas sobretudo pelo balanço da meta de se proteger 30% dos ecossistemas marinhos até 2030.
“Esta não é uma conferência para gerar acordos”, explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, na apresentação oficial do encontro, lembrando que este evento não é como as conferências do clima, onde há a expectativa de que se produzam tratados.
João Gomes Cravinho partilhou ainda que Portugal gostaria que a Conferência dos Oceanos de 2022 fosse lembrada sob dois aspectos: “Por um lado, por sublinhar o nexo oceano-clima, uma vez que os oceanos absorvem qualquer coisa como 80% do impacto do aquecimento global”, disse. “Por outro lado, esperamos que fique associada ao desenvolvimento da economia azul. Há muito interesse das entidades financeiras internacionais, gostaríamos que projectos interessantes encontrassem financiamento adequado em Lisboa”, acrescentou o ministro.
O residente francês afirmou, esta quinta-feira, que iniciativas como a Conferência dos Oceanos da ONU trazem resultados concretos e deu o exemplo dos países que se juntaram ao compromisso de 30% das áreas oceânicas protegidas até 2030.
“Criamos [nestes eventos] coligações para proteger melhor, por exemplo, os nossos espaços marítimos. Graças a esta conferência, foram reunidos mais países. Chegámos a mais de 100 países”, apontou Emmanuel Macron, esta quinta-feira. O líder francês anunciou também, em Lisboa, que a França será a anfitriã de uma nova conferência das Nações Unidas sobre os oceanos, em 2025, organizada em conjunto com a Costa Rica.
Menos de 10% das áreas dos oceanos do mundo estão atualmente protegidas, mas agora mais de 100 países juntaram-se numa coligação que defende a reserva de 30% da superfície terrestre e oceânica do planeta para áreas protegidas até 2030.
Reconhecendo que os oceanos têm sido esquecidos na agenda mundial, Marco Lambertini, diretor-geral da WWF (World Wide Fund for Nature) recordou, no entanto, que no início do milénio menos de 1% dos oceanos estava protegido, contra os quase 8% atuais e o objetivo de proteção de 30%. A mensagem que sai da conferência de Lisboa é que se sabe o que tem de ser feito e que tem de ser feito rapidamente.
“Sabemos que o oceano está em crise, temos problemas de sobrepesca, de aumento das temperaturas devido as alterações climáticas, problemas de acidificação, problemas de poluição de diferentes formas, incluindo de plástico, e a conferência de Lisboa, não sendo um encontro para se tomarem decisões, pode conduzir a um tratado global sobre poluição por plástico ou avanços como a proteção de 30% dos oceanos, o que irá permitir a recuperação de ‘stocks’ de peixe”, apontou o responsável.
“A conservação da natureza afeta a nossa prosperidade, a nossa sobrevivência e o nosso futuro. É uma nova perceção que sai desta conferência”, finalizou o responsável da WWF.













