As pessoas no centro da Gestão da Mudança

Opinião de Vanessa Cruz, Head of Learning and Development Skills da GALILEU

Executive Digest

Por Vanessa Cruz, Head of Learning and Development Skills da GALILEU

 A mudança é cada vez mais frequente na vida das empresas, no entanto, apenas um terço dos processos de mudança resulta num claro sucesso (Gartner, 2020). Então, por que motivo a maioria dos processos de mudança falha ou não alcança em pleno os objetivos desejados, e o que diferencia um caso de sucesso? Uma das respostas é colocar o foco da gestão da mudança no fator humano.



Em muitos casos, o foco do processo de mudança está mais na efetivação da mudança do que na gestão de todo o processo, especialmente no que diz respeito ao fator humano, ou seja, nas pessoas que serão impactadas pela mudança.

Resistência à mudança

O ser humano é naturalmente resistente à mudança e nas organizações, como em qualquer lado, a resistência pode variar de pessoa para pessoa. Se os colaboradores da organização não compreenderem os motivos e a necessidade da mudança, o mais provável é terem maiores níveis de resistência à mudança ou até rejeição completa da mesma. Na gestão da mudança é preciso agir no sentido de mitigar essa resistência e ganhar aliados e embaixadores da mudança na organização.

Planear e comunicar

É, por isso, fundamental identificar a mudança e alinhá-la com os objetivos da organização, para melhor definir de que forma este processo irá ajudar a organização a atingi-los. Isto irá ajudar as fases de planeamento e análise de resultados, mas também será útil para comunicar às equipas o porquê da mudança e como isso as afetará.

A comunicação é, aliás, fundamental para que todo o processo atinja os resultados desejados. Os colaboradores precisam de conhecer os motivos da mudança e se esta terá um impacto no seu trabalho, por exemplo melhorando condições de trabalho, facilitando tarefas ou, de forma geral, tornando-os mais produtivos. Se o processo de mudança ajudar a melhorar os resultados da empresa, isso poderá traduzir-se em maior segurança dos seus postos de trabalho ou em algum tipo de compensação? É importante que a mudança tenha uma justificação que motive os colaboradores a aderir e apoiar o processo.

Por isso mesmo, a comunicação deve ser planeada e iniciar antes mesmo do processo de mudança ter início, prolongando-se ao longo de toda a duração do mesmo. Muitas vezes a liderança é ineficaz a transmitir a sua visão para o futuro e a conseguir que as suas equipas visualizem a realidade da organização pós-mudança. A comunicação deve especificar onde serão as melhorias e em que quantidade, indicando métricas que possam ser analisadas e comparadas. O futuro deve ser tangível.

Envolver e capacitar

Com um plano bem delineado e implementado e a devida comunicação, os colaboradores estarão atualizados relativamente ao processo de mudança, havendo menor possibilidade de serem surpreendidos e evitando situações de ansiedade, frustração ou desconexão.

Importa incluir todos os stakeholders nas várias fases, do planeamento à implementação, incluindo tomadas de decisão. Alguns processos de gestão de mudança correm mal, em parte, devido a falhas de comunicação. Por vezes alguns colaboradores recebem informação importante e relevante que depois acaba por não ser partilhada com os restantes colaboradores e equipas, sendo necessário um esforço adicional para voltar a ter todos ao mesmo nível. Situações destas abrem espaço à desmotivação das equipas e é essencial prevenir ou corrigir de imediato. Nenhum colaborador deve ficar para trás no processo. Envolver os colaboradores nas decisões importantes da sua equipa, e referentes ao seu trabalho, é uma forma de os acompanhar, manter informados e recolher o seu feedback.

Ferramentas e Competências

Outro ponto onde muitas vezes os processos de mudança falham é na preparação dos colaboradores. Não basta executar uma mudança, é necessário dotar os colaboradores – especialmente aqueles que serão diretamente afetados pela mudança – das ferramentas necessárias para a adaptação à nova realidade, incluindo o desenvolvimento de competências. É necessário dar tempo ao desenvolvimento dessas mesmas competências, à familiarização com as novas ferramentas e processos. De nada serve implementar alterações de fundo na organização se depois os colaboradores não foram devidamente preparados para tirar partido dela.

 

É por isso que, tendo em conta a frequência com que a mudança surge na vida das organizações, e a importância estratégica de que ela frequentemente se reveste, escolher um modelo de gestão da mudança centrado na componente humana é essencial para ter as equipas do lado da empresa.

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