Shell divulga hoje resultados do segundo trimestre. Depois de valor recorde, “lucros devem voltar a subir”, diz analista

A Shell divulgou em maio os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2022, onde reportou um lucro recorde de 8,6 mil milhões de euros (9,1 mil milhões de dólares), impulsionado pelos preços mais altos de petróleo e gás, pelo aumento dos custos de refinação e pelo forte desempenho da sua divisão comercial. Esta quinta-feira, serão divulgados os resultados referentes ao segundo trimestre.

Mariana da Silva Godinho

A Shell divulgou em maio os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2022, onde reportou um lucro recorde de 8,6 mil milhões de euros (9,1 mil milhões de dólares), impulsionado pelos preços mais altos de petróleo e gás, pelo aumento dos custos de refinação e pelo forte desempenho da sua divisão comercial.

Esta quinta-feira, serão divulgados os resultados referentes ao segundo trimestre e este período “foi marcado por uma rápida recuperação da procura após o fim da pandemia e dos lockdowns que ainda subsistiam no primeiro trimestre em alguns países”, explica Nuno Mello, analista da XTB, à ‘Executive Digest’.



“Os preços da energia aumentaram ainda mais, impulsionados pela invasão russa da Ucrânia, com o gás natural a atingir máximos de 2008 no mês de junho e os preços do Brent com uma média a rondar os 113 dólares por barril no trimestre, em comparação com os 102 dólares por barril nos primeiros três meses. Os lucros da Shell deverão, por isso, voltar a subir este trimestre, devido não só à subida dos preços da energia mas também das margens de refinação e das margens de venda.”

No primeiro trimestre, a petrolífera juntou-se a concorrentes como a BP ou a Galp a garantir resultados bastante positivos. A Shell superou neste período os valores registados em 2008, mesmo depois de reduzir 3,7 milhões após impostos como resultado da sua decisão de abandonar o mercado russo.

Neste mercado, a petrolífera confirmou que pretende, até ao final do ano, interromper todas as suas compras de petróleo bruto a longo prazo, exceto dois contratos com um “pequeno produtor russo independente” que não referiu o nome. Paralelamente também irão deixar de importar produtos petrolíferos refinados da Rússia.

“Apesar do gigante petrolífero britânico ter referido que a sua decisão de abandonar os seus projectos na Rússia iria reduzir o seu lucro trimestral em 4 a 5 mil milhões de dólares, o que é certo é que os lucros de 20 mil milhões de dólares obtidos no ano passado e os elevados preços da energia compensem esta quebra”, explica Nuno Mello.

Sobre o futuro, o analista explicou que “a turbulência nos mercados energéticos, devido à guerra na Ucrânia, não deverá atrasar os planos da Shell para reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa e de construir um grande negócio de energias renováveis e de baixas emissões de carbono nas próximas décadas”.

“A Shell aumentou as suas metas climáticas na sequência de uma decisão judicial holandesa de 2021 que ordenou à empresa que reduzisse as emissões de gases com efeito de estufa em 45% até 2030, a partir dos níveis de 2019. Posto isto, a Shell deverá utilizar os lucros para três coisas: reduzir a dívida acumulados nos dois anos da pandemia, remunerar os acionistas através dum aumento do dividendo e acelerar o processo de transição para as energias renováveis”, concluiu.

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