Economia portuguesa com défice externo de 0,4% do PIB no 1.º trimestre

O saldo externo da economia portuguesa fixou-se em -0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2022.

André Manuel Mendes

O saldo externo da economia portuguesa fixou-se em -0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2022. Os dados revelam uma melhoria do saldo quer em contabilidade nacional quer em contabilidade pública.

Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto nacional de Estatística (INE) revelam que a economia portuguesa registou uma necessidade de financiamento de 0,4% do PIB no 1º trimestre de 2022, que compara com uma capacidade de financiamento de 0,7% no trimestre anterior.



“Tomando em consideração exclusivamente o 1º trimestre de cada ano, verificou-se uma melhoria do saldo quer em contabilidade nacional quer em contabilidade pública. Em contabilidade nacional, o saldo das administrações públicas passou de -6,0% do PIB no 1º trimestre de 2021 para -0,4% no mesmo período de 2022. O valor das injeções de capital e assunção de dívidas no 1º trimestre de 2022 foi integralmente destinado a entidades do setor das AP”, pode ler-se na nota do INE.

Paralelamente, a necessidade de financiamento do setor das AP diminuiu 1,3% no 1º trimestre, representando 1,5% do PIB, o que é o reflexo de um aumento da receita (2,5%) e de uma diminuição da despesa (-0,3%)”.

A evolução da despesa resultou, segundo o INE, do efeito conjugado da diminuição em 0,6% da despesa corrente, com o aumento de 2,5% da despesa de capital. “A variação da despesa corrente foi determinada pela diminuição dos encargos com juros (-3,2%) e dos subsídios pagos (-29,1%), refletindo essencialmente, no último caso, a forte redução dos apoios pagos às empresas no contexto da mitigação dos efeitos económicos da pandemia Covid-19”, explica o instituto de estatística.

Fonte: INE

O INE revela ainda que o Rendimento Nacional Bruto (RNB) e o Rendimento Disponível Bruto (RDB) aumentaram, respetivamente, 3,0% e 2,8%. O aumento do RDB da economia, “conjugado com o crescimento de 3,5% da despesa de consumo final (que engloba as despesas de consumo final das Famílias e das AP), determinou a diminuição de 0,5% da poupança bruta da economia para 18,0% do PIB (menos 0,6 p.p. que no trimestre anterior e mais 0,2 p.p. que no trimestre homólogo)”.

Fonte: INE

No início da semana, especialistas previam um excedente orçamental. “É esperado um pequeno excedente orçamental nos primeiros três meses do ano”, referiu Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, à agência ‘Lusa’, considerando que “a melhoria das contas públicas foi ditada, em boa parte, pela evolução mais favorável da pandemia”.

Na totalidade do ano de 2021, o défice das Administrações Públicas, em contabilidade nacional, caiu para 2,8% do PIB, abaixo da meta oficial do Governo, depois de ter disparado para 5,8% em 2020. Para este ano, o Governo prevê um défice orçamental de 1,9%.

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