Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que cerca de 10% dos trabalhadores concentram em si perto de metade do total dos salários a nível mundial. Por outro lado, os 50% mais mal pagos recebem apenas 6,4% do valor distribuído em ordenados.
Mais do que isso, os 20% dos trabalhadores que menos recebem (aproximadamente 650 milhões) ganham menos de 1% do total das remunerações laborais de todo o mundo. Segundo a OIT, este valor praticamente não mudou ao longo dos últimos 13 anos.
No quadro geral, a desigualdade salarial decresceu desde 2014, mas a OIT alerta que esta evolução não representa uma mudança real. Não diz respeito a reduções na desigualdade entre países mas, sim, a um aumento da prosperidade em economias emergentes de grande dimensão, como é o caso da China ou Índia. A nível nacional, a desigualdade parece estar, na verdade, a crescer.
«Os dados mostram que, em termos relativos, aumentos nos ordenados de topo estão associados a perdas para as restantes pessoas, com a classe média e os trabalhadores com salários mais baixos a verem a sua fatia declinar», comenta Steven Kapsos, líder da unidade de Analysis & Data Production da OIT.
Entre 2004 e 2017, a percentagem do total de ordenados pagos em todo o mundo com a classe média como destino caiu de 44,8 para 43%. No mesmo período de tempo, os 20% mais bem pagos viram a sua quota aumentar de 51,3 para 53,5%. Alemanha, Indonésia, Itália, Paquistão, Reino Unidos e Estados Unidos da América são os países onde os trabalhadores mais bem pagos passaram a receber ainda mais.













