2022: um mundo em mudança apresenta novos desafios aos CEO

Vivemos tempos incertos, que nos obrigam a adaptar-nos constantemente – e o mesmo acontece aos CEO das empresas, cuja responsabilidade está a mudar e que enfrentam, hoje, novos desafios.

Executive Digest

Vivemos tempos incertos, que nos obrigam a adaptar-nos constantemente – e o mesmo acontece aos CEO das empresas, cuja responsabilidade está a mudar e que enfrentam, hoje, novos desafios. Perante as forças globais que se têm consolidado nos últimos anos, nomeadamente a expansão do conhecimento, a globalização, a transição energética e a transformação digital, os líderes das empresas têm de mudar a sua forma de liderar, tornando-se sobretudo mais flexíveis. A forma como se adaptam a cada novo desafio vai determinar o seu sucesso enquanto profissionais e, indissociavelmente, o sucesso e o crescimento das empresas que lideram.

 

Planeamento mais rápido e dados, dados, dados

O mundo está em constante transformação: todos os dias aparecem novas tecnologias, ferramentas, modelos de negócios e até concorrentes, pelo que as empresas têm de ter capacidade para acompanhar as mudanças contínuas (e por vezes inesperadas) do mercado.

Antes era normal delinear um plano a cinco ou a dez anos para assegurar a estratégia e a continuidade; porém, hoje em dia este planeamento a médio/longo prazo já não faz sentido. Se não for alvo de revisões frequentes, pode tornar-se completamente desatualizado em muito pouco tempo, tendo em conta os novos contextos que vão surgindo. A planificação tornou-se muito mais rápida, e estabelecer políticas ou estratégias requer agora uma revisão anual ou mesmo semestral.

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No entanto, isto não significa que não seja necessário que o CEO tenha uma visão estratégica do futuro da empresa e do que quer atingir nos próximos anos… e para isso são precisos dados. Falamos muito de transformação digital, mas aplicá-la na prática passa por transformar o contexto empresarial em dados acionáveis, que possamos analisar e explorar de forma a conseguirmos aplicar o digital às nossas operações, processos e até valores. Neste sentido, os CEO precisam de uma visão pautada pela tecnologia, e saber por onde começar: a adoção de plataformas abertas e interoperáveis, e modelos de subscrição as-a-Service, que permitam um acesso fácil e integrado aos dados. É fundamental que não caiam no erro de tentar imediatamente desenvolver tecnologia proprietária e que saibam tirar o melhor partido das soluções já existentes, que permitem até a colaboração com os seus pares.

 

Dificuldade em reter talento

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Outros dos grandes desafios atuais dos CEO prende-se com a dificuldade em reter talento nas empresas. Se até há alguns anos o talento era desenvolvido dentro da empresa ao longo do tempo, agora as pessoas adquirem conhecimento de forma muito mais rápida. Por um lado, isto significa que incorporar novos membros se tornou mais fácil – numa questão de poucos dias é possível ter uma nova pessoa a contribuir ativamente para a empresa. O reverso da moeda é que reter o talento se tornou mais difícil, sobretudo porque as necessidades das novas gerações que entram no mercado de trabalho são muito diferentes das necessidades das gerações anteriores.

Os mais jovens não procuram um trabalho apenas para ganhar dinheiro, e não estão numa empresa exclusivamente para desempenhar a sua função; querem sentir-se apreciados, que a empresa zela pelo seu bem-estar e necessidades e que têm espaço para crescer e um caminho a percorrer. É, por isso, cada vez importante que o CEO e as equipas de gestão de topo criem um verdadeiro propósito para cada um dos elementos da força de trabalho.

 

Inspirar, mais do que dirigir

Neste contexto, o papel do CEO passa agora muito mais por inspirar do que simplesmente liderar. Há uns anos, este líder devia focar-se muito em definir estratégias e assegurar a sua execução. Atualmente, com as mudanças constantes que ocorrem em qualquer setor de atividade, é cada vez mais necessário que as pessoas que se sintam inspiradas. Quando se sentem motivadas por uma liderança estimulante, ganham mais capacidade para gerar ideias, inovar, falar com liberdade e também para poderem errar sem medo, o que as levará ao caminho do sucesso e da realização. Evidentemente, continua a ser necessário orientá-las e dirigi-las, mas é mais eficaz desenvolver uma cultura assente na inspiração e motivação.

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Uma boa liderança impactará também a perceção do CEO dentro da empresa – a grande aspiração é que consiga executar o seu papel e levar a empresa a bom porto e, ao mesmo tempo, estar próximo dos colaboradores e dos clientes, e ser visto como um modelo a seguir. Para o conseguir, deve adotar um papel muito mais participativo a todos os níveis, ouvindo as pessoas e procurando gerar impacto positivo em todos os momentos. As pessoas são o ativo mais importante de uma empresa, e o CEO deve personalizar os valores que se pretendem passar para todos os colaboradores, como a humildade, a generosidade, a autenticidade e a tolerância, para que todos possam expressar-se sem medo.

Gosto também de dizer que, enquanto CEOs, devemos aceitar e assumir que somos seres imperfeito e que o nosso papel é transitório e limitado – se tivermos esta noção da nossa finitude, aplicar-nos-emos muito mais, enquanto desempenharmos estas funções, para executá-las da melhor forma possível.

 

Foco na sustentabilidade e na transição digital

Como sabemos, a transformação digital e as alterações climáticas são tendências determinantes para o sucesso das empresas, no presente e nos próximos anos – e algo tão premente não poderia deixar de influenciar o papel dos CEO.

Já demos um passo além de a estratégia de sustentabilidade influenciar a rentabilidade e a popularidade das empresas; agora, torna-se cada vez mais uma exigência por parte de clientes, parceiros e fornecedores. No mesmo sentido, várias iniciativas promovidas pelos bancos e pelos fundos europeus alinham-se para que as empresas sejam mais sustentáveis e reduzam as emissões de carbono, sendo essa uma condição para poderem aceder às melhores avaliações de crédito, por exemplo.

Em suma, atualmente os CEO têm de gerir muito mais rápido a tomada de decisões, com uma visão muito mais limitada no tempo, para além de desempenharem um papel muito mais participativo no dia a dia das suas empresas. Os próximos três anos vão determinar a sobrevivência, o fracasso ou o sucesso das organizações, sendo cada vez mais importante que os líderes consigam antecipar tendências, perceber que novos modelos de negócio podem ser desenvolvidos, repensar a natureza dos investimentos e refletir sobre as propostas de valor que têm em vista. Temos de deixar de olhar para o passado e passar a definir o futuro com base nos dados que recebemos, analisamos e aplicamos para transformar a empresa para melhor. A capacidade de antecipação é uma vantagem competitiva que permite tomar decisões mais acertadas e otimizar todos os processos empresariais.

Não é fácil ser CEO – não o era antes, e continua a não o ser hoje, num mundo de mudança constante e acelerada. Contudo, e baseando-me na minha própria experiência de liderança, posso afirmar que, por maior que seja o desafio, a motivação de o vencer é sempre muito superior. O segredo? Já o disse acima: este é o momento de mostrar que os CEO realmente estão presentes e prontos para assumir a nova liderança que o mundo procura e necessita. Se forem os primeiros a dar o passo em frente, com confiança, perseverança, otimismo e proximidade… todos os seguirão.

 

Victor Moure

Country Manager

Schneider Electric Portugal

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