A análise de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
O barómetro da Executive Digest reflecte a prudência na gestão das expectativas que os gestores e empresários portugueses estão a ter com o ano de 2022. A pandemia “Netflix” (que sempre que parece que vai acabar, estreia mais uma temporada com uma nova variante) com uma nova vaga da pandemia na Europa, o “coito interrompido” da geringonça governativa, as pressões inflacionistas (apesar das previsões referirem como contida e transitória), o risco do aumento da taxa de juro e os problemas nas cadeias de fornecimento globais, levam-nos a ser cautelosos nas previsões de negócio. Estas variáveis geram incerteza e receio (33% dos inquiridos caracteriza qua a “incerteza” dominará o ano de 2022). Também por isso, 45% dos empresários e gestores, estimam que os seus negócios irão crescer apenas até 10% versus o ano de 2021 (que estava abaixo do ano de 2019, quando não existia COVID-19). Quando o negócio não cresce, o investimento acompanha e portanto, 45% dos inquiridos vai manter ou aumentar apenas até 10% o investimento que farão, face ao ano anterior. Bem sabemos que o investimento público (com o PRR) irá substituir muito do investimento privado, mas sabemos que uma economia como a nossa, deve depender essencialmente do investimento privado (nacional ou estrangeiro). Daí a sua importância e de este ser um indicador de abrandamento económico, pois mais uma vez estamos a comparar com 2021, um ano negativo também neste “Milestone”. O objectivo, claro está, será aumentar a rentabilidade e ir buscar muitos dos lucros e resultados que se perderam nestes dois últimos anos. Conclusão reflectida na questão seguinte do barómetro, sobre qual o grande objectivo para 2022: 39% dos participantes refere precisamente o aumento da rentabilidade como primeiro objectivo e 59% não está a pensar expandir a sua organização para outros mercados (ou seja internacionalizar e exportar). Portanto este ano está a ser um grande “ponto de interrogação” para os actores da economia portuguesa, talvez com a prudência de quem antecipa um cenário imprevisível e difícil. A economia portuguesa deverá ter crescido 4,8% em 2021 e prevê-se 5,8% em 2022 (Banco de Portugal), mas que vem na sequência da queda histórica de 2020 (-8,4%). A confiança é o factor crucial do crescimento económico e esta está pelas “ruas da amargura” em termos de saúde pública, de indicadores económicos, de cenários políticos e de expectativas macroeconómicas. Talvez a maior prioridade da Europa seja reestabelecer a confiança dos agentes económicos e dos consumidores, pois assim a economia retoma!
Testemunho publicado na edição de Fevereiro (nº. 191) da Executive Digest, no âmbito da XXII edição do seu Barómetro.














