Um caso de amor entre Brasil e Portugal

Opinião de Patrícia Lemos, CEO da Vou Mudar Para Portugal

Executive Digest

Por Patrícia Lemos, CEO da Vou Mudar Para Portugal

 



Toda a relação amorosa, verdadeira e duradoura pressupõe uma troca mútua. De afetos e carinhos, mas também de experiências e crescimento pessoal. Ambos têm que ganhar. Se isso vale entre pessoas, é razoável supor que também vale entre comunidades e diferentes povos.

Quando me mudei para Portugal, vim em busca de paz, segurança, tranquilidade e qualidade de vida para criar os meus filhos. E recebi tudo isso. O mínimo que posso fazer é retribuir tudo o que ganhei e contribuir para este belo país.

Tenho uma empresa de relocation em Portugal e orgulho-me de gerar empregos para portugueses e brasileiros. Pagamos os nossos impostos (e a carga tributária não é pequena!), cientes de que cada cêntimo é de facto revertido em benefícios para todos.

Se essa troca amorosa acontece comigo, acontece também com os milhares de brasileiros que cá vivem hoje. Somos a maior comunidade estrangeira no país, num momento em que há um número recorde de imigrantes. Nunca houve tantos brasileiros a viver em Portugal como agora.

Oficialmente vivem em Portugal mais de 662 mil estrangeiros, dos quais em torno de 214 mil vieram do Brasil. Estes dados não contemplam os que tenham cidadania portuguesa e os que estejam em processo de regularização: ou seja, o montante de brasileiros é muito maior do que as estatísticas apontam.

Num país de idosos como é Portugal, esse contingente de brasileiros constitui uma força de trabalho importante, pois há uma carência de mão de obra e de população em idade ativa. Importante lembrar que muitos jovens portugueses emigram em busca de melhores salários.

Ao mesmo tempo em que movimentam a economia local, os brasileiros também contribuem para o sistema de Segurança Social. Em 2020, foram arrecadados 350 milhões de euros por meio de trabalhadores brasileiros (6,7% do total arrecadado no país, líder no ranking das nacionalidades estrangeiras em pagamentos). Os dados estão no relatório anual “Indicadores de Integração de Migrantes”, que aponta ainda que 87% dos residentes brasileiros destinam recursos para a Segurança Social, com uma média de 2.181 euros anuais. É uma participação significativa, que alivia a “grande pressão com que se confronta o sistema de Segurança Social português face aos efeitos do envelhecimento demográfico”, como diz o Relatório.

O outro lado da moeda por vezes é intangível e a frieza dos números é incapaz de revelar. O que ganhamos nós, brasileiros, com isso tudo? Ganhamos segurança, saúde e educação públicas de qualidade e respeito aos cidadãos, em especial aos idosos. Ganhamos qualidade de vida e a possibilidade de criar os filhos com padrões éticos e morais que infelizmente se perderam no Brasil. E os portugueses acham estranho exaltarmos esses benefícios que, para eles, são tão normais.

Ao longo da história, Brasil e Portugal uniram-se, lutaram, separaram-se, voltaram. Um foi morar na casa do outro por uns tempos. Hoje, como se diz, têm uma relação bem resolvida. Ganham os portugueses, ganham os brasileiros. Como diz a música dos HMB e da Carminho, “O amor é assim, pelo menos pra mim…”

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