O BCE tornou-se mais hawkish e juntou-se a muitos outros bancos centrais na pretensão de aumentar a taxa de juro. Observamos que as perspetivas de inflação permanecem muito incertas, mas concluímos que os preços de mercado se tornaram demasiado agressivos.
Em dezembro, o BCE foi inflexível ao afirmar que as subidas de taxas não seriam assunto para este ano. Os últimos dados da inflação mudaram a opinião dos membros do BCE que, na reunião desta semana, a Presidente do BCE, Christine Lagarde, falou sobre o risco de a inflação estar agora em alta, sobre a preocupação unânime com os números recentes da inflação, como a situação tinha mudado e como o BCE estava a aproximar-se muito mais do seu objetivo de inflação. A mensagem estava repleta de comentários hawkish.
Após a reunião, circularam rumores, baseados em fontes anónimas do BCE, que diziam que uma minoria considerável queria começar a retirar os estímulos já na reunião desta semana, e, portanto, uma decisão em março parece agora bastante provável, a não ser que haja uma grande queda na inflação.
O mercado ficou maluco e, por exemplo, as yields alemãs de 5 anos subiram mais de 10pb para ver o seu segundo maior aumento diário em mais de cinco anos. O mercado está agora a fixar os preços em cerca de 50bp de taxas overnight mais elevadas até ao final do ano.
Deveremos levar a sério os sinais do BCE. As notícias sobre a inflação na zona euro surpreenderam em alta sete vezes seguidas, e o BCE teve de rever constantemente as suas previsões de inflação no ano passado – e provavelmente terá de fazer o mesmo novamente em março. Não é, portanto, de admirar que muitos banqueiros centrais estejam a ficar preocupados.
No entanto, existem também boas razões para duvidar da atual agressividade dos preços de mercado. Mais de metade da recente inflação anual de 5,1% ainda é explicada pelo aumento dos preços da energia. É verdade que a inflação core está a subir, mas o crescimento global dos salários permanece silencioso e será necessário mais tempo para que o quadro sobre o crescimento dos salários se torne mais claro. É igualmente verdade que quanto mais tempo a inflação se mantiver em níveis elevados, maior será o risco de se repercutir no crescimento dos salários, pelo que o BCE tem razão em estar preocupado.
O que esperar na semana que vem?
A semana que vem é uma grande semana para os EUA, com a inflação a sair na quinta-feira e a confiança dos consumidores a sair na sexta-feira. Teremos também reuniões de Bancos Centrais em que se irá decidir sobre as taxas de juro, na Suécia na Polónia (terça-feira), na Índia (quarta-feira) e na Rússia (sexta-feira).
O valor do IPC dos EUA na quinta-feira é o principal evento desta semana e espera-se um valor otimista em torno dos 7,2% e para a inflação core 5,9%. O risco continua a ser ascendente. Em relação às categorias que mais deverão subir são as mesmas de sempre: arrendamentos, carros e energia – que irão fazer subir a inflação. O petróleo subiu cerca de 17% em janeiro pelo que o CPI deverá subir. Os dois primeiros serão as principais componentes que contribuirão para o aumento da inflação core.
Nuno Mello
Analista XTB





