Empresas do futuro

Opinião de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Executive Digest

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Durante 1,5 dias, no terminal de passageiros do Porto de Leixões, apresentaram-se os inúmeros projectos privados do PRR. Cada empresário e consórcio pré-selecionado, fez um “pitch” de 7 minutos sobre o seu projecto. Na apresentação das agendas mobilizadoras verdes para a inovação empresarial estiveram presentes vários governantes, dando peso político a algo fundamental para o futuro do país. Estiveram o Sr Primeiro Ministro, vários ministros e secretários de estado num evento muito bem organizado pelo IAPMEI. Confesso que fiquei surpreendido pois entendo que foram selecionados alguns projectos que não acrescentam muito à economia nacional (mais do mesmo) mas a grande maioria eram projectos que incorporam tecnologia, inovação, sustentabilidade, network, governance, ligação à academia, empregabilidade, equilíbrio financeiro, viabilidade económica e possibilidade de escalar e internacionalizar os projectos. E todos os membros do governo assistiram com atenção a todas apresentações, manifestando a importância e relevância desta iniciativa pública ao sector privado. 64 apresentações de projectos selecionados entre 144 candidaturas, com um investimento de 9.8 biliões de euros (público e privado). Projectos que não promovem a mão de obra barata mas a qualificação dos recursos humanos e a integração entre a empresa e a academia. São as empresas do futuro do país. 



A maior fatia financeira dos projectos vai para o sector energético, agroalimentar e economia do mar. Mas confesso que na área da saúde vi 2 projectos bastante relevantes e inovadores, um deles que salva vidas dos doentes diabéticos, com um estudo clínico já a decorrer (o primeiro estudo clínico Português aprovado pela agência americana do medicamento – FDA) e também aprovado como “fast track” pela mesma agência que desta forma assume o quão importante este medicamento da Technophage (TP 102) pode ser para prevenir a amputação do pé diabético e a prevenção prematura da morte dos doentes diabéticos, pois não existe mais nenhuma alternativa. E o investimento até agora, deste projecto, foi exclusivamente privado. E não vimos (como alguns fazem) o CEO da empresa a exigir o dinheiro do estado para financiar o projecto. Mas mesmo assim, sem dinheiro público, está  já previsto o lançamento para 2024, podendo ser o primeiro produto biológico no mundo com esta aprovação. Poderia ser mais cedo, mas o custo elevado da investigação clínica e a exclusividade de ser um investimento apenas privado em Portugal (ou seja um mercado com baixa intensidade de capital) desacelerou o processo, que já leva 15 anos. 

Afinal Portugal tem a capacidade de gerar conhecimento para ser o primeiro e o melhor do mundo, apenas nos falta capital para acelerar o processo de I&D. Tudo porque as nossas empresas de capitais de risco, não investem em projectos num estado tão prematuro. Quando empresas como a Technophage fazem rondas de financiamento apenas aparecem interessados estrangeiros. Algo que este PRR pretende inverter: acelerar e converter num negócio o conhecimento de valor acrescentado, num estadio inicial em que existe risco mas também existe probabilidade elevada de sucesso. Esse é um dos seus méritos, e o verdadeiro valor acrescentado deste conceito de PRR.

Devemos criticar quando existe motivo mas também reconhecer quando algo de positivo acontece. Portanto devemos criticar o volume de investimento público previsto, mas congratular a iniciativa governamental nas agendas de investimento empresarial, que promove a transparência do processo, mas também a sua originalidade e a confirmação da aposta real no futuro dum novo modelo económico baseado na inovação!

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