A CFO da Huawei Technologies, Meng Wanzhou, chegou a um acordo de sentença com o Departamento de Justiça dos EUA, confessou uma fonte próxima do processo à agência Reuters.
Caso o acordo seja homologado pelo tribunal de Brooklyn, o documento pode ainda significar a libertação de dois canadianos detidos por Pequim em 2018, pouco tempo depois de, por ordem dos EUA, Wanzhou ter sido capturada no aeroporto internacional de Vancouver.
Em agosto, um tribunal chinês sentenciou o canadiano Michael Spavor a 11 anos de prisão por “fornecer ilegalmente segredos de Estado e informações secretas a forças estrangeiras”, uma decisão já condenada pelo Canadá.
“Condenamos esta decisão. Há a possibilidade de apresentar recurso, o que vai ser discutido com os advogados”, afirmou o embaixador canadiano na China, Dominic Barton, numa declaração à imprensa em Dandong (nordeste), onde Michael Spavor foi julgado.
O Tribunal Popular Intermédio de Dandong anunciou a sentença, numa declaração publicada no seu ‘site’: “Foi condenado a 11 anos de prisão, à confiscação de bens no valor de 50.000 yuan [6581 euros] e à expulsão”.
Spavor foi julgado em março, mas o tribunal decidiu que o veredito seria anunciado em data a determinar.
Em junho do ano passado, a China apresentou queixa contra Spavor por “fornecer ilegalmente segredos de Estado e informações secretas a forças estrangeiras”, enquanto outro canadiano, Michael Kovrig, era acusado de os ter roubado.
De acordo com o Tribunal Popular Intermédio Número dois de Pequim, em março, o veredito de Kovrig, um diplomata de licença que na altura da sua detenção trabalhava para o grupo de reflexão do Grupo de Crise – será também anunciado “numa data a ser determinada”.
Diplomatas da Alemanha e dos Estados Unidos também se deslocaram a Dandong para ouvir o veredito, enquanto diplomatas de 25 países se reuniram na representação diplomática canadiana em Pequim.
Tanto Spavor como Kovrig foram presos poucas horas depois de o Canadá ter detido a diretora financeira da Huawei e filha do fundador da empresa chinesa Meng Wanzhou, em dezembro de 2018 em Vancouver, onde fazia uma escala a caminho do México, a pedido dos Estados Unidos, que pretendiam acusar Meng de fraude bancária para violar as sanções comerciais norte-americanas contra o Irão.
Meng, cuja libertação tem sido repetidamente exigida por Pequim, está em liberdade condicional e vive com a família numa das duas mansões que possui em Vancouver.
Spavor e Kovrig têm sido mantidos em isolamento, com visitas limitadas ao pessoal consular canadiano, e em celas iluminadas 24 horas por dia, de acordo com a imprensa norte-americana.












