A onda de perdões a ex-colaboradores que estiveram sob suspeita e foram investigados continua para Donald Trump, quando falta cada vez menos tempo para continuar na Casa Branca. Agora os contemplados são Paul Manafort, Roger Stone e Charles Kushner, os dois primeiros investigados pelo procurador-especial, Robert Mueller, pelo alegado envolvimento no caso de conluio com a Rússia para as presidenciais de 2016.
Ex-chefe da campanha eleitoral de Donald Trump, Paul Manafort já trabalhara com os presidentes Reagan e George H. W. Bush nos anos 80. Investigado no caso do alegado conluio entre a campanha presidencial de Trump e a Rússia, Manafort foi julgado e considerado culpado de diversos crimes, entre os quais os de fraude e branqueamento de capitais. Condenado a sete anos de prisão, a pena foi alterada no início deste ano para prisão domiciliária por causa da covid-19.
Stone, amigo pessoal e ex-assessor de campanha de Trump, foi preso pelo FBI em janeiro de 2019 com sete acusações de obstrução à justiça, incluindo manipulação de testemunhas, e falso testemunho perante o Congresso no contexto da investigação de Mueller. Seria libertado pouco depois, mas acabou condenado a 40 meses de cadeia que não cumpriu porque, em julho, quando deveria ser detido, Trump interveio e comutou a sua pena.
Mas a ligação de Roger Stone ao Partido Republicano vem dos anos 70 quando colaborou na reeleição de Richard Nixon. Mais tarde, depois de Nixon ser obrigado a demitir-se na sequência do escândalo Watergate, revelado pelas investigações dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, ambos do Washington Post, Stone manteve a admiração pelo ex-Presidente (tatuou mesmo a sua imagem nas costas) e continuou a colaborar com os republicanos – esteve nas campanhas presidenciais de Ronald Reagan em 1980 e 1984, mas também na de George H. W. Bush em 1988.
Quanto a Charles Kushner, sogro da filha mais velha de Trump, Ivanka, casada com Jared Kushner, outro dos apoiantes próximos do ocupante da Casa Branca que foram investigados. Charles admitiu ser culpado de fuga aos impostos em 2005 e foi condenado a dois anos de cadeia, mas apenas cumpriu 14 meses. Mais tarde, na sequência de uma grave discussão com o irmão Murray, foi tornado público que as suas contribuições tinham violado por diversas vezes a lei do financiamento dos partidos. Aberta a investigação, Charles Kushner procurou evitar que a sua irmã colaborasse com a Justiça – montou uma armadilha ao marido com uma prostituta, gravou o encontro e tentou chantagear a irmã ao enviar-lhe a gravação em vídeo, mas esta entregou-a à Justiça e os problemas de Charles aumentaram, quase o levando de volta para a prisão.







