A mobilidade sempre esteve directamente relacionada com a actividade da Galp, sendo uma das faces mais visíveis junto do cliente final por força de uma rede de áreas de serviço de elevada capilaridade. O objectivo é bastante claro e em nada diferente do que levou a empresa a assumir-se como o player de referência no sector dos combustíveis: fornecer a energia na forma e localizações que os seus clientes necessitam para assegurar as suas deslocações.
Desde que, em 2010, disponibilizou o primeiro ponto de carregamento rápido numa área de serviço na Europa, a Galp participou activamente no desenvolvimento da mobilidade eléctrica em Portugal. A electrificação do transporte é, já hoje, uma realidade incontornável. Considerando os inúmeros modelos que já têm data de apresentação ao mercado, tanto das marcas tradicionais como de novas marcas exclusivamente eléctricas, assim como a evolução esperada ao nível da autonomia, potência de carregamento e custo das baterias, levará a uma presença cada vez maior da mobilidade eléctrica no parque automóvel, com especial destaque para os principais centros urbanos. Como fornecedor de referência de energia para a mobilidade, esta é uma área que faz naturalmente parte da estratégia da empresa.
«A nossa rede tem crescido de forma bastante significativa nos últimos meses para responder a essa necessidade do mercado. Do ponto de vista da Galp estamos alinhados com esta necessidade da transição energética e de ter actividade com cada vez menor intensidade carbónica. Por isso, temos este interesse especial na mobilidade eléctrica. Não só nos nossos postos de abastecimento, que é aquilo que as pessoas mais conhecem, mas também na via pública e em tudo o que sejam parques de estacionamento, de forma a responder aquilo que são as necessidades de mercado», explica Rui Vieira, responsável pela área de mobilidade elétrica da Galp, à Executive Digest.
Por isso, a rede Galp Electric conta já com 69 Pontos de Carregamento Rápido (carregadores), incluindo o primeiro ponto de carregamento ultrarrápido do mercado, e 472 Pontos de Carregamento Normal (tomadas) em operação na rede pública de carregamento. Considerando que a maior parte dos PCR permitem o carregamento simultâneo de duas viaturas, a sua rede de carregamento tem, em Março de 2021, a capacidade de carregar 586 veículos eléctricos em simultâneo.
No final de Março, existiam já 60 áreas de serviço Galp com pontos de carregamento rápido e, nos próximos meses esse número irá aumentar, tanto nos centros urbanos como nas principais auto-estradas, com pontos de carregamento rápido e ultrarrápido.
«A micromobilidade vai ser uma realidade e temos de estar preparados para prestar serviços. Também queremos cidades com uma mobilidade mais verde e esse é um dos grandes processos que estamos a fazer enquanto empresa e um grande investimento em energias mais clean. Numa empresa que vem de um sector mais tradiconal isto é excepecional. Vamos ter mais soluções para as pessoas viverem melhor», acrescenta Ana Casaca, responsável pela área da Inovação da Galp, à Executive Digest.
PROJECTO PIONEIRO
A Galp está a liderar um projeto pioneiro nos Açores para testar a tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), que permite que os veículos eléctricos deixem de ser apenas consumidores de eletricidade e que possam também fornecer energia à rede eléctrica. Desenvolvido em parceria com a Nissan, a Eletricidade dos Açores (EDA), a Nuvve, a Magnum Cap, a DGEG, a ERSE e o Governo dos Açores, através da Direção Regional de Energia dos Açores, o piloto actualmente em curso na ilha de São Miguel é o primeiro a ocorrer em Portugal com uma escala de nível europeu.
Assente numa lógica descentralizada de fluxos de energia bidirecionais, a tecnologia V2G permite que um carro eléctrico carregue a sua bateria ou, em alternativa, que descarregue essa mesma bateria para fornecer energia à rede eléctrica. Com este piloto pioneiro em Portugal – que dá sequência a outros projectos que colocaram a empresa na liderança de soluções de mobilidade eléctrica e de baixo carbono – a Galp reforça assim o seu compromisso com o caminho de uma transição energética assente na descarbonização do sector, na descentralização e na conectividade.
A tecnologia V2G permitirá aos utilizadores de veículos eléctricos o acesso a uma poupança na sua factura de energia e a uma receita associada à prestação de serviços à rede eléctrica, posicionando os utilizadores como agentes activos na prestação de serviços auxiliares ao sistema eléctrico. «Olhamos para os veículos eléctricos como um gerador de despesas porque temos de os carregar e isso, obviamente, tem um custo mensal para os clientes. Com a tecnologia V2G, o veículo poderá passar a ser também um gerador de receitas. Como? Há dois componentes principais. Em primeiro lugar, aquilo que se denomina como load shifting e está relacionado com carregar o carro e as baterias do carro nas horas mais baratas. E, depois, o carro tem a capacidade de fornecer energia à casa ou ao edifício no período em que esse custo é mais elevado», afirma Rui Vieira, responsável pela área de mobilidade elétrica da Galp.
Adicionalmente, esta tecnologia pode também contribuir para uma maior penetração de energias renováveis através, por exemplo, da possibilidade de carregamento da bateria do veículo eléctrico durante o período noturno, aproveitando excedentes de energia eólica. O piloto em curso desde abril está a testar uma frota de 10 veículos eléctricos da Eletricidade dos Açores e já permitiu injectar na rede cerca de 13,4 MWh, energia equivalente ao consumo médio de 15 casas por dia.
A realização deste piloto contribui para a criação de um enquadramento legal que permita passar de uma fase piloto para uma fase de mercado num curto espaço de tempo, abrindo assim portas a novos modelos de negócio e novas abordagens para o mercado eléctrico nacional.
«Ainda não conseguimos ter uma regulamentação que permita prestar serviços à rede. O que nós estamos a fazer é a abrir fronteiras, demonstrar que a tecnologia é segura, uma mais valia tanto para rede como para o cliente final. E, portanto, desta forma permitir ao regulador ter uma maior segurança para abrir essa porta», conta Ana Casaca, responsável pela área da Inovação da Galp.
PARCERIA
A Galp e a Habitat Invest criaram uma parceria para serviços de mobilidade elétrica em edifícios residenciais, que inclui a oferta de serviços inteligentes de carregamento elétrico de veículos e de soluções de mobilidade partilhada entre condóminos. Os primeiros projetos abrangidos por esta parceria, localizados em Lisboa, ficarão disponíveis já este ano, num total de 250 parqueamentos preparados para o carregamento de veículos elétricos previstos para os novos empreendimentos “Duque 70”, na Av. Duque de Loulé, “Línea Residences”, na Av. 5 de Outubro e “Valrio”, na Av. de Berlim. A Galp assegurará a instalação das wallbox para cada cliente.
No caso do “Valrio”, o edifício contará ainda com uma solução inovadora desenvolvida pela Galp para mobilidade partilhada pelos condóminos e que será replicada noutros empreendimentos. «No mundo da mobilidade eléctrica temos vários formatos e tipologias de carregamento. Um dos aspectos mais importantes é o carregamento em casa. Esta parceria com a Habitat procura colocar toda a expertise que a Galp tem neste território e implementar soluções de carregamento que respondam às necessidades dos condomínios. Podem ser soluções de vários tipos, tanto integradas na Mobi.E como privadas. O que é importante é existir o conforto de quem tem um veículo eléctrico poder carregá-lo num condomínio e suportar esses custos. E todos os condóminos que não têm veículos eléctricos não têm nenhum custo acrescido com esses carregamentos», sublinha Rui Vieira, responsável pela área de mobilidade elétrica da Galp.
A parceria entre a Galp e a Habitat Invest vai também abranger o fornecimento de energia verde da Galp nos empreendimentos da Habitat, com oferta de soluções competitivas e adaptadas ao perfil de consumo de cada cliente. A tendência de os clientes optarem por soluções de mobilidade mais sustentáveis, partilhadas e com base em ferramentas digitais é cada vez mais assinalável, sendo Portugal o quinto país da Europa onde a compra de viaturas eléctricas mais cresceu em 2020. Com esta parceria inovadora, a Galp e a Habitat Invest continuam a reforçar o seu posicionamento como referências nos respectivos sectores – energético e imobiliário – com a oferta de soluções de mobilidade eléctrica para os seus clientes, promovendo opções energéticas mais verdes e contribuindo para um futuro mais sustentável. «Nós sabemos que 56% da população mundial vive em cidades. A mobilidade urbana vai mudar radicalmente e é exactamente essa preparação que nós estamos a fazer para sermos mais inovadores, ágeis e rápidos», destaca Ana Casaca, responsável pela área da Inovação da Galp. «Queremos ajudar o cliente e o País a ser mais sustentável. Vão existir diferentes tipos de soluções para diferentes tipo de perfis de utilização. O caminho é passar para uma energia mais verde. Não vai haver um vencedor», concluem os responsáveis.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Mobilidade Urbana & Smart Cities”, publicado na edição de Junho (n.º 183) da Executive Digest.











