O povo português diz com toda a sabedoria: longe da vista, longe do coração. Parece-me ser este o grande alerta que as empresas em Portugal estão a dar ao Governo nesta segunda fase da pandemia, pois o país não está suficientemente focado em dar prioridade ao emprego, crescimento e sua sustentabilidade. No meio de altos e baixos, medidas e discussões, burocracia pelo meio, as empresas sentem-se insuficientemente apoiadas. Ao ponto de, à pergunta qual a medida de apoio que foi mais importante, a resposta com mais votos (32%) é “nenhuma”. Nenhuma? Só mesmo um afastamento do governo à realidade empresarial pode explicar um painel como este afirmar tal coisa. 54% consideram a Administração Pública pouco adequada para fazer chegar a ajuda às empresas e 56% consideram que não é este ano que poderemos voltar à normalidade. Um exemplo paradigmático é a recente polémica sobre o Pagamento Por Conta do IRC que o parlamento, através da lei orçamental, veio dispensar as micro e PME de o fazer e o governo resolveu decretar que afinal estas empresas têm de continuar a “pagar por conta”, ao arrepio da lei. A Ordem dos Contabilistas veio dizer que o governo não pode fazer isso e o país das empresas assiste arrepiado e incrédulo. Com tal falta de sensibilidade e arrogância perante a lei, qual pode ser a reacção das empresas? Elegemos a flexibilidade como o factor mais decisivo para o nosso futuro (84%), muito acima do conhecimento tecnológico (30%) ou da criatividade (26%) e elegemos a resiliência (44%) como a palavra que melhor resume 2021. Devemos estar mais perto, da vista e do coração. Devemos ser um país mais unido pela mesmo objectivo, a melhoria do rendimento disponível (per capita) dos portugueses!
Testemunho publicado na edição de Abril (nº. 181) da Executive Digest, no âmbito da XVII edição do seu Barómetro.











