Continente: Relação de Proximidade

Ajudar os produtores portugueses no escoamento de produtos nacionais será sempre o objectivo do Continente

Executive Digest

Sabe-se que a pandemia veio reforçar a importância de comprar local ou nacional e da conveniência de pontos de abastecimento mais próximos das lojas e do consumidor final. A produção local sempre foi um dos eixos de actuação do Clube de Produtores do Continente (CPC) e continua a alargar a sua rede através da integração de novos membros – promovendo produtos exclusivos regionais nalgumas lojas (quando há produtores que têm óptimos produtos, mas não têm capacidade de produção em escala), o que representa circuitos de transporte mais reduzidos. Um outro exemplo são os mercados de vinhos regionais realizados nos últimos dois anos até à pandemia para promover os produtores vinícolas locais junto dos seus conterrâneos.

O Continente anunciou, em Março de 2020, o alargamento da rede de produtores nacionais e, em três semanas, receberam mais de 80 candidaturas, entre produtores individuais, organizações de produtores e micro-pequenas empresas sendo que integraram mais de 50% em apenas duas semanas, o que representa muitas dezenas de produtores abrangidos por esta medida. Para além da abertura do CPC à integração de novos produtores, como forma de ajudar aqueles que viram os seus clientes cessarem actividade pelo encerramento do canal Horeca, tiveram em Abril de 2020 uma feira de queijos tradicionais portugueses para ajudar os pequenos produtores de queijo. «Assim, em 2020 comprámos 6150 toneladas de queijos aos membros do Clube de Produtores Continente, o equivalente a 56,7 milhões de litros de leite. Foi ainda criado um programa de pagamento antecipado para melhoria das condições de tesouraria dos produtores», sublinha Ondina Afonso, presidente do Clube de Produtores Continente, à Executive Digest.



Independentemente da situação económico-financeira do nosso país, a Sonae MC desenvolve, desde 1998, uma relação próxima e profícua com produtores do sector agroalimentar e agropecuário, promovendo um crescimento sustentado da produção nacional, capitalizando a gastronomia e o modo de estar português. Ajudar os produtores portugueses no escoamento de produtos essenciais será sempre o objectivo do Continente.

PRODUTOS

O perfil de consumo alterou-se com a permanência das famílias em suas casas. Os produtos frescos aumentaram de peso no cabaz de compras e o tipo de produtos indica que a confecção no lar passou a ter maior expressão. O grande destaque será para as laranjas do Algarve e todos os restantes citrinos, com crescimentos no mercado superiores a 60%, de acordo com a Nielsen. Ou seja, em 2020 o Continente comprou à produção nacional cerca de 16 mil toneladas de citrinos. O kiwi nacional, assim como as maçãs (de Alcobaça ou Beira Alta) e a pêra Rocha do Oeste também aumentaram substancialmente os volumes comercializados. No caso de legumes, notou-se um aumento expressivo nos produtos para sopa, com destaque para courgettes, batatas e couves; e também nos produtos com uso culinário, como cebolas e alhos.

Em 2020, reforçou-se de forma transversal compras de carne de origem nacional para 57 mil toneladas, sendo o destaque para a categoria de bovino onde se duplicou as compras à produção nacional, muito alavancado nas raças angus e limousine e também nas raças autóctones. «No período mais crítico da situação pandémica, e de forma pró-activa contactámos as associações de produtores e produtores individuais e apoiámos o escoamento de animais, tendo-se criado uma relação com muitos deles até ao dia de hoje. Fomos também contactados por câmaras municipais, como foi o caso de Chaves, onde em conjunto criámos iniciativas concretas de colaboração. Actualmente estamos a comprar a produtores da região através da PEC Nordeste e também mantemos parcerias com alguns de forma directa», acrescenta Ondina Afonso.

PARCERIAS

O Continente relaciona-se com os seus produtores e fornecedores assente em parcerias fortes e duradouras, visando satisfazer as necessidades dos seus clientes e consumidores. No decorrer da sua actividade, o Clube de Produtores desenvolveu um sistema de certificação próprio, baseado em normas e referenciais europeus, que robusteceu o processo produtivo dos seus parceiros e lhes deu capacidade para se assumirem como exportadores. O Clube lança anualmente um programa de capacitação, a Academia do CPC, na qual os produtores são convidados a frequentar sessões de partilha de conhecimento sobre várias áreas da cadeia de abastecimento. O programa é assegurado por quadros da Sonae MC e um conjunto de investigadores, que formam o Conselho Científico do CPC, como objectivo de reforçar a sensibilidade para vários temas actuais, nomeadamente a sustentabilidade.

Ao nível do combate ao desperdício alimentar, através do CPC, o objectivo é garantir que os produtores sabem produzir de modo sustentável e, neste sentido, foi lançada a plataforma contra o desperdício alimentar intitulada – Feira do Desperdício. Esta plataforma promove o aproveitamento do desperdício/subproduto gerado nos produtores, através do impulsionamento de parcerias entre produção – indústria –, e que possam desenvolver projectos de inovação e circularidade.

Há 20 anos quando o Clube de Produtores foi criado, a agricultura nacional, em geral, não conseguia responder às necessidades de um retalhista como a Sonae MC, no que respeita a quantidade e qualidade desejadas. «Pelas parcerias que desde então se constituíram entre equipa do Clube de Produtores e produtores, foi possível garantir um abastecimento de produtos com elevada qualidade e quantidades ajustadas à procura e, consequentemente, dar estabilidade a todos os produtores por forma a gerirem melhor os seus negócios bem como conseguirmos ter uma oferta alargada de produtos nacionais nas nossas lojas», explica a presidente do CPC.

Hoje, cerca de 70% dos membros são já exportadores e cumprem referenciais de qualidade reconhecidos internacionalmente. Produtores que já contemplam nas suas empresas departamentos de Investigação & Desenvolvimento (cerca de 40%) e de Ambiente (cerca de 26%). Uma história que se materializa em cerca de 200.000 hectares dedicados à produção de excelentes produtos para os clientes do Continente, de 11.000 postos de trabalho indirectos e de 20 projectos estratégicos numa relação de parceria única: Produção – Retalho.

QUALIDADE

Para além da possibilidade de participar em projectos e iniciativas como a Academia, o Clube de Produtores anualmente certifica que os seus produtores cumprem com um conjunto de indicadores de qualidade, de segurança alimentar, ambientais e de responsabilidade social. No caso dos produtores de carne asseguramos o cumprimento do bem-estar animal, do respeito pela biodiversidade e do uso eficiente de recursos naturais. «Acreditamos que qualquer produtor que cumpra com os nossos referenciais está apto a responder a outros mercados, aliás como tem acontecido com várias organizações de produtores, membros do Clube, e que são hoje grandes exportadores para mercados igualmente exigentes», afirma Ondina Afonso.

Para ir ao encontro dos consumidores que procuram cada vez mais produtos de origem biológica, o Continente reforçou no ano passado ainda mais a oferta neste segmento, através da sua marca Continente Bio, que já conta com mais de 100 produtos, com todo sabor e naturalidade, aos preços mais baixos. A marca Continente Bio é desenvolvida a partir dos melhores ingredientes naturais de produção biológica certificada, obedecendo às boas práticas ambientais previstas na legislação europeia. Os produtos biológicos podem ser identificados através do logótipo comunitário da agricultura biológica certificada.

CONTINENTE BIO

A Sonae MC foi, em 2012, o primeiro grupo de retalho alimentar do País a adoptar uma política de sustentabilidade do pescado, tornando-se numa referência ao assumir a posição dianteira entre toda a distribuição nacional quanto a esta preocupação. No seu primeiro ano, o projecto “Dourada do Algarve” implicou um investimento de 11 milhões de euros. Este valor corresponde ao investimento nas infra-estruturas e na produção. Está previsto um investimento total de 25 milhões de euros até 2022.

O objectivo principal é apoiar o desenvolvimento da produção e do consumo de produtos nacionais. Pela sua localização, será possível no mais curto espaço de tempo abastecer todas as lojas Continente, garantindo níveis de frescura e qualidade de excelência. Assim como, será garantida uma proposta de valor muito competitiva, promovendo uma produção e consumo sustentável do pescado, privilegiando o apoio às comunidades locais algarvias. «Trata-se de um projecto muito importante para a aquacultura nacional e onde contamos com o apoio de instituições científicas e académicas. A escolha do Algarve alia a temperatura e limpidez das suas águas com a facilidade logística de distribuir deste ponto para todo o País, assegurando a máxima frescura do produto para os nossos consumidores. Até agora, o balanço é muito positivo», conclui Ondina Afonso.

Este artigo faz parte do Especial “Agricultura”, publicado na edição de Março (n.º 180) da Executive Digest.

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