Degelo expande rotas marítimas. Navio atravessa Ártico em fevereiro pela primeira vez

O gelo derretido no Ártico permitiu que um navio-tanque navegasse pela Rota do Mar do Norte em pleno Inverno, pela primeira vez em fevereiro.

Mara Tribuna

Um petroleiro conseguiu navegar pelo gelo do mar do Ártico em fevereiro pela primeira vez, o que mostra quão rapidamente o ritmo das alterações climáticas está a acelerar nas regiões mais a norte do planeta Terra.

O navio chamado Christophe de Margerie foi acompanhado pelo quebra-gelo russo 50 Let Pobedy, movido a energia nuclear, enquanto navegou de volta à Rússia este mês, após transportar gás natural liquefeito para a China através da Rota do Mar do Norte, em janeiro. Ambas as viagens quebraram recordes de navegação, segundo a Bloomberg.

“Estou confiante que a Rota do Mar do Norte é competitiva, que as mudanças na situação do gelo e a melhoria das tecnologias marinhas criam novas condições para o seu desenvolvimento”, disse o vice-primeiro-ministro russo, Yury Trutnev, e membro do conselho de fiscalização da Rosatom, a empresa nuclear estatal que gere a rota.

A viagem experimental aconteceu após um ano de temperaturas extraordinariamente quentes no Ártico, que enviaram ondas de choque por todo o mundo, desde a tempestade de neve que atingiu Espanha em janeiro até à explosão de ar frio que afetou o Canadá em meados de fevereiro, avançando profundamente para o sul, até ao Texas.

Isto significa que as rotas de navegação do Ártico permanecem abertas durante mais tempo. A estação do ano passado foi a mais longa de que há registo – começou com o navio Christophe de Margerie a navegar pela Rota do Mar do Norte em maio, e terminou com o seu regresso neste mês. Isto contrasta com a época de navegação tradicional que vigora de junho a outubro.

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O Ártico está a aquecer ao dobro da velocidade do resto do mundo, e a área coberta de gelo atingiu vários mínimos históricos ao longo dos últimos 12 meses. Imagens de satélite mostram que a cobertura de gelo é agora 7% mais baixa do que a média das últimas quatro décadas.

O degelo na região já está de acordo com os piores cenários climáticos delineados pelos cientistas, com 28 biliões de toneladas métricas perdidas globalmente entre 1994 e 2017.

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