Alta velocidade entre Lisboa e Madrid. O tabu de Costa que prefere a Galiza à capital espanhola

As duas capitais vizinhas estão atualmente sem nenhuma conexão ferroviária, com a pandemia a meter um travão ao Lusitânia que une Lisboa a Madrid em 11 horas.

Sónia Bexiga

As duas capitais vizinhas estão atualmente sem nenhuma conexão ferroviária, com a pandemia a meter um travão ao Lusitânia que une Lisboa a Madrid em 11 horas. Mas não se sabe quando regressa. No entanto, a prioridade portuguesa não é Madrid, mas a Galiza, destino que o Governo quer privilegiar, tendo já decidido avançar com a alta velocidade entre o Porto e Vigo.

O que significa também que o tabu do primeiro-ministro António Costa, em relação à ligação por Alta Velocidades (AVE) entre as capitais assim vai continuar. O espanhol ‘El Confidencial’ relembra as afirmações de Costa, em 2018, de que “a AVE é um assunto tabu na política portuguesa e assim será por muito tempo” ou, um ano antes, num jantar em Madrid promovido pela Câmara de Comércio Hispânica Portuguesa, vaticinando que a “alta velocidade é uma discussão que um dia inevitavelmente voltará, mas não acho que esse dia esteja no calendário desta legislatura ou que esteja mesmo no calendário da próxima legislatura”.

Mais recentemente, os espanhóis ficaram certos de que a prioridade portuguesa não é Madrid, mas a Galiza. O Governo português quer avançar com a alta velocidade entre o Porto e Vigo , o que reduziria as atuais duas horas e meia de viagem para 55 minutos depois de concluídas as obras, já incluídas no “Programa Nacional de Investimento 2030”.

O Executivo português justifica esta aposta com duas ideias-chave: já existe um caminho rápido para chegar a Madrid, o avião – demora apenas uma hora – e a questão sentimental, afirmando que há mais laços com a Galiza do que com outras regiões espanholas. Uma discussão que, segundo a publicação espanhola, deixou a Extremadura “um tanto perplexa”, habituada a ouvir enaltecer as suas relações quando representantes do Conselho de Administração vêm fazer negócios em Lisboa.

Importa recordar que as primeiras notícias sobre o comboio de alta velocidade Lisboa-Madrid datam de 2000. Nesse ano, José María Aznar e António Guterres, à frente dos Governos de Espanha e Portugal, acordaram na Cimeira Ibérica de Salamanca em criar uma comissão de estudos o projeto.

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Os estudos foram feitos e em 2003 há aprovação noutra Cimeira e sai o acordo: a linha passaria por Badajoz , teria bitola europeia e atingiria, com velocidade de 350 quilómetros por hora, unir as duas capitais em duas horas e 45 minutos. Seria concluído entre 2013 e 2015.

Mas em 2011 com a chegada da Troika a Portugal, o projeto leva um travão a fundo. Já em 2015, Costa chega ao poder e promete o fim da austeridade, num discurso que restaura a esperança de regresso ao projeto da AVE mas que logo foi considerado um tabu. A realidade é que ainda não havia dinheiro para uma obra dessa envergadura.

Agora, em tempos de inesperada pandemia, a palavra de ordem é recuperar a economia. E a grande inovação em infraestruturas em Portugal é a introdução da ‘verdadeira’ alta velocidade na linha Lisboa-Porto. Atualmente, o comboio mais rápido é o Alfa Pendular, que atinge uma velocidade máxima de 220 quilómetros por hora e que liga as duas principais cidades portuguesas em três horas. Algo que vai mudar com o projeto de alta velocidade que deve ser concluído antes de 2030 e que custará 4.500 milhões de euros para a viagem durar uma hora e 15 minutos.

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Assim, a alta velocidade Lisboa-Porto é a joia do plano de investimento até 2030, e neste contexto a alta velocidade Porto-Vigo completa a ideia, criando um eixo atlântico total e conseguindo a ligação mais rápida com Espanha por menos dinheiro do que custaria para chegar a Madrid.

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