OMS deixa o aviso: «Vacinas não equivalem a Covid zero»

O progresso recente nas vacinas contra a Covid-19 é positivo, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada que isso tenha conduzido a uma crescente perceção de que a pandemia chegou ao fim.

Simone Silva

Myke Ryan, diretor do programa de emergências da Organização Mundial de saúde (OMS), lançou esta sexta-feira um alerta: «Estão a surgir dados de que a proteção (da vacina contra a Covid-19) pode não ser vitalícia e, portanto, podem ocorrer reinfeções», disse. «As vacinas não equivalem a Covid zero», acrescentou na habitual conferência da OMS, em Genebra.

O progresso recente nas vacinas contra a Covid-19 é positivo, mas a OMS está preocupada que isso tenha conduzido a uma crescente perceção de que a pandemia chegou ao fim, segundo o referiu o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

«O progresso nas vacinas dá-nos um alento e agora podemos começar a ver a luz ao fundo do túnel. No entanto, a OMS está preocupada com a crescente perceção de que a pandemia Covid-19 tenha chegado ao fim», afirmou na mesma ocasião.

Tedros alertou para o facto de ainda haver um longo caminho a percorrer na crise de saúde pública, sublinhando ainda que as decisões tomadas pelos cidadãos e governos vão determinar o seu curso a curto prazo, incluindo a data em que a pandemia vai acabar definitivamente.

«Sabemos que foi um ano difícil e que as pessoas estão cansadas, mas acreditem que em hospitais que estão a funcionar com capacidade máxima ou acima dela, é mesmo do mais difícil que pode haver», afirmou o diretor geral da OMS.

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O responsável acrescentou ainda: «A verdade é que atualmente muitos locais estão a testemunhar uma transmissão muito elevada do vírus da Covid-19, o que está a colocar uma enorme pressão sobre hospitais, unidades de cuidados intensivos e profissionais de saúde».

Recorde-se que o Reino Unido aprovou na quarta-feira a vacina contra o novo coronavírus da Pfizer, ultrapassando o resto do mundo na corrida para iniciar o processo de vacinação em massa.

A medida aumentou as esperanças de que possa ser possível destruir finalmente um vírus que já infetou mais de 65,4 milhões de pessoas em todo o mundo, causou  mais de 1,5 milhões vítimas mortais e afetou fortemente a economia mundial, alterando a vida de milhões de pessoas.

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Dados sobre eficácia das vacinas são «encorajadores» mas «precisamos de mais números», alerta cientista-chefe da OMS 

Soumya Swaminathan, cientista-chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) falou esta sexta-feira na Web Summit sobre as vacinas contra o novo coronavírus. A responsável diz estar satisfeita com os resultados de eficácia conhecidos até ao momento, mas mostra-se cautelosa pedindo «mais números».

«Ver os primeiros dados que nos dão a esperança de ter vacinas altamente eficazes, é encorajador», afirmou sublinhando que estes são apenas dados preliminares, sendo necessária mais informação para se ter a certeza absoluta. «Precisamos de mais números, de maior acompanhamento e mais informação sobre proteção a longo prazo, bem como sobre a segurança das vacinas», acrescentou.

A responsável mostrou-se também surpreendida com valores de eficácia tão elevados, esperando que os resultados se centrassem entre os 50% e os 70%, mas nunca em mais de 90%, como aconteceu com alguns fabricantes. «Dissemos que 70% seria fantástico e qualquer coisa na ordem dos 50% seria aceitável», referiu

Na sua intervenção online, Soumya Swaminathan congratulou todos os esforços para produzir resultados eficazes no combate à doença viral, algo que considera só ter sido conseguido através do «investimento que tem sido feito nos últimos anos e a partilha de conhecimento». Toda esta partilha, segundo a cientista-chefe, resultou em novas ferramentas e descobertas, que promete serem utilizadas no futuro.

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«Fizemos as coisas de forma tão diferente que já não podemos voltar a pensar nos métodos antigos de fazer pesquisa e desenvolvimento, ficou provado que podemos encurtar os tempos para menos de um ano», afirmou, sublinhando a caminhada «desafiante», repleta de «altos e baixos» que tem desenvolvido ao longo destes meses.

 

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