Os indicadores de clima económico e de confiança dos consumidores diminuíram em novembro, interrompendo a recuperação dos últimos seis meses, no caso do primeiro, e a estabilização dos últimos cinco meses, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O indicador de confiança dos consumidores – que resulta de uma média aritmética de respostas a questões, referentes ao último ano e aos próximos 12 meses, sobre a situação financeira do agregado familiar, a situação económica geral do país e previsões de gastos em compras – diminuiu em novembro, após ter permanecido num patamar relativamente estável nos últimos cinco meses, que se seguiu a uma recuperação parcial em maio e junho da maior diminuição da série registada em abril.
“A diminuição do indicador de confiança dos consumidores resultou do contributo negativo das componentes relativas às expectativas para os próximos doze meses, nomeadamente, perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país, da situação financeira do agregado familiar e da realização de compras importantes, tendo as opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar contribuído positivamente”, explica o instituto.
Também na indústria transformadora o indicador de confiança diminuiu em novembro, contrariando o aumento registado no mês anterior e interrompendo a recuperação observada entre junho e agosto, após ter atingindo em maio o mínimo histórico da série.
“A redução do indicador refletiu o acentuado contributo negativo do saldo das perspetivas de produção da empresa e, em menor grau, das opiniões sobre os stocks de produtos acabados, enquanto as apreciações relativas à evolução da procura global contribuíram positivamente”, explica o instituto, adiantando que o indicador diminuiu nos três agrupamentos, ”bens de consumo”, “bens de investimento” e “bens intermédios”, mas de forma moderada no último caso.
Na construção e obras públicas, o indicador de confiança “diminuiu acentuadamente” em novembro, segundo o INE, interrompendo o perfil de recuperação registado entre maio e outubro, depois de registar em abril a diminuição mais acentuada da série, tendo o agravamento resultado dos contributos negativos das apreciações sobre a carteira de encomendas e perspetivas de emprego.
Segundo os dados do INE, a redução do indicador verificou-se nas três divisões: promoção imobiliária e construção de edifícios, engenharia civil e atividades especializadas de construção, de forma “particularmente expressiva” no primeiro caso, diz o instituto.
No comércio, o indicador de confiança “diminuiu significativamente”, interrompendo o perfil ascendente entre maio e outubro, após a forte redução em abril (quando atingiu o mínimo da série), e refletindo as apreciações dos empresários sobre vendas e perspetivas nos próximos três meses, uma vez que as opiniões sobre o volume de stocks contribuíram positivamente, mas a descida foi mais acentuada no comércio a retalho do que no comércio por grosso.
Nos serviços, o indicador de confiança também diminuiu de forma significativa – depois de ter recuperado parcialmente, entre junho e outubro, do mínimo histórico da série atingido em maio – em resultado das apreciações sobre a evolução da carteira de encomendas e, em maior magnitude, das perspetivas sobre a evolução da procura.
“Em novembro, a redução do indicador de confiança verificou-se em todas as secções, destacando-se as secções de atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, de transportes e armazenagem e de alojamento, restauração e similares, que registaram as maiores reduções com maior magnitude”, especifica.
O indicador de clima económico, baseado em inquéritos às empresas, diminuiu também em novembro, interrompendo o perfil de recuperação dos seis meses anteriores, após ter atingido em abril o valor mínimo da série.
Segundo o instituto, os períodos de recolha de informação decorreram entre 02 a 17 de novembro, no caso do inquérito aos consumidores (1399 repostas obtidas), e entre 01 a 23 de novembro no caso dos inquéritos às empresas.












