Covid-19: AstraZeneca planeia novo ensaio clínico da vacina para ‘apagar’ erros que ameaçaram eficácia

A informação foi prestada à agência de notícias norte-americana pelo próprio diretor executivo da empresa, Pascal Soriet, na primeira entrevista depois de os dados da sua vacina terem sido divulgados. 

Simone Silva

A AstraZeneca deve iniciar um novo ensaio clínico global para avaliar a eficácia da sua vacina contra Covid-19, na sequência de alguns estudos recentes terem levantado dúvidas sobre  o seu nível de proteção na doença, avança a ‘Bloomberg’.

A informação foi prestada à agência de notícias norte-americana pelo próprio diretor executivo da empresa, Pascal Soriet, na primeira entrevista depois de os dados da sua vacina, desenvolvida em parceria coma Universidade de Oxford, terem sido divulgados.

«Agora que descobrimos o que parece ser uma melhor eficácia, temos que validar essa informação, então temos de fazer um ensaio clínico adicional», disse Pascal Soriot, citado pela ‘Bloomberg’. Provavelmente será outro «estudo internacional, mas este pode ser mais rápido porque já sabemos que a eficácia é elevada, logo precisamos de um número menor de pacientes», explicou.

O novo estudo avaliaria uma dosagem mais baixa com um maior e melhor desempenho. O reconhecimento da empresa de que um erro de produção poderia pôr em causa a eficácia da sua vacina, gerou preocupações na comunidade científica.

Recorde-se que na quarta-feira a AstraZeneca e a Universidade de Oxford reconheceram um erro de fabrico que está a levantar questões sobre os resultados preliminares e a eficácia da sua vacina experimental contra a covid-19.

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O comunicado, onde é reconhecido o erro, acontece dias depois da empresa e a universidade terem descrito a vacina como «altamente eficaz», sem mencionar a razão pela qual alguns participantes nos ensaios clínicos não terem recebido a mesma quantidade de vacina na primeira das duas injeção, tal como era esperado, noticia a agência AP.

Surpreendentemente, o grupo de voluntários que recebeu uma dose menor parecia estar muito mais protegido do que os voluntários que receberam duas doses completas. No grupo de dose baixa, disse a AstraZeneca, a vacina parece ter uma eficácia de 90%, enquanto que no grupo que recebeu duas doses completas a eficácia parece ser de 62%.

Com estes resultados combinados, os fabricantes revelaram que a vacina parece ter uma eficácia média de 70%, mas a forma como estes foram obtidos levantou questões por parte de especialistas.

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Os resultados parciais anunciados na segunda-feira resultam de ensaios clínicos em massa que estão em andamento no Reino Unido e no Brasil projetados para determinar a dose ideal da vacina, bem como examinar a segurança e eficácia.

Várias combinações e doses foram administradas nos voluntários e os resultados comparados com outros que receberam uma vacina contra meningite ou uma solução salina.

Antes do arranque dos ensaios, os investigadores explicaram todas as etapas a seguir e a forma de analisar os resultados. Qualquer desvio deste protocolo pode colocar em causa os resultados.

Em comunicado divulgado ontem, a Universidade de Oxford disse que alguns dos frascos usados no teste não tinham a concentração certa de vacina, o que significa que alguns voluntários receberam meia dose.

A universidade acrescentou que discutiu o problema com os reguladores e concordou em concluir o teste. O problema de fabrico foi corrigido, segundo o comunicado.

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Para os especialistas, o número relativamente baixo de pessoas no grupo de dose reduzida torna difícil de perceber se a eficácia observada no grupo é real ou uma particularidade estatística.

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