Máscaras podem não proteger contra a Covid-19. Cientistas alertam para «preocupante falta de evidências»

Um estudo dinamarquês não encontrou nenhuma evidência estatística de que equipamento ofereça qualquer proteção contra a doença.

Simone Silva

A comunidade cientifica alertou esta quinta-feira para uma «preocupante falta de evidências» de que as máscaras previnem a infeção por Covid-19, depois de um grande estudo na Dinamarca ter descoberto que o equipamento não é eficaz, avança o ‘Daily Mail’.

Governos de todo o mundo tornaram obrigatório o uso de máscara em espaços públicos fechados, apesar da escassez de testes rigorosos para verificar a sua eficácia. O raciocínio é de que as máscaras devem ser melhores do que nada porque bloqueiam pelo menos parte da carga viral que é exalada ou inalada pelo utilizador.

Contudo, um estudo publicado na quarta-feira pela Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, considerado o melhor do seu género até agora, não encontrou nenhuma evidência estatística de que equipamento ofereça qualquer proteção contra a doença.

Como reação à descoberta numa crónica no The Spectator, Carl Heneghan e Tom Jefferson, professores da Universidade de Oxford disseram que havia «uma preocupante falta de evidências robustas sobre máscaras faciais e Covid-19».

Houve apenas três estudos com voluntários «reais», que compararam utilizadores de máscara aos restantes: um na Guiné-Bissau, um na Índia e este mais recente na Dinamarca. Todos mostraram que as máscaras não trazem nenhum benefício na prevenção da doença.

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«Agora que temos pesquisas científicas devidamente rigorosas nas quais podemos confiar, as evidências mostram que o uso de máscaras na comunidade não reduz significativamente as taxas de infeção», afirmam os especialistas, citados pelo ‘Daily Mail’.

Os investigadores de Copenhaga recrutaram seis mil voluntários na primavera , antes de as máscaras serem obrigatórias no país, e dividiram-nos em dois grupos: metade usava máscaras em público e a outra metade não.

Passado um mês, os voluntários que usaram máscara foram testados para infeção atual e anterior de Covid-19 e comparados com o grupo de controlo que não as usou. Os resultados mostraram que 1,8% das pessoas que usaram a proteção contraíram o vírus. Em comparação, 2,1% das pessoas no grupo sem máscara tiveram resultado positivo para a COVID-19. A diferença entre os dois grupos não é estatisticamente significativa.

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«O estudo não confirma a redução esperada para metade do risco de infeção para pessoas que usam máscaras», escreveram os autores num comunicado à imprensa. «Os resultados podem indicar um grau de proteção mais moderado de 15 a 20%, no entanto, o estudo não pode descartar que as máscaras não ofereçam qualquer proteção».

Contudo, a equipa do Hospital Universitário de Copenhaga disse que as descobertas não deveriam ser usadas para argumentar contra o seu uso generalizado, porque as máscaras podem, ainda assim, evitar que as pessoas infetem outros.

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