As maiores zonas húmidas do planeta estão a arder. Incêndios no Pantanal continuam descontrolados

A região do Pantanal da América do Sul tem sido atingida pelos piores incêndios florestais das últimas décadas.

Mara Tribuna

A Califórnia, nos Estados Unidos, e a Amazónia, no Brasil, atingiram um número ‘recorde’ de incêndios este ano. Contudo, e apesar de menos falado, o maior pântano tropical do mundo está em chamas há meses.

A região do Pantanal da América do Sul tem sido atingida pelos piores incêndios florestais das últimas décadas. As chamas já consumiram cerca de 28% da vasta planície inundável que se estende por partes do Brasil, Bolívia e Paraguai. Os incêndios ainda não estão completamente sob controlo.

O fogo destruiu habitats e a subsistência de muitas comunidades indígenas do Pantanal. Mas o seu impacto prejudicial estende-se muito para além da região.

Terras húmidas como o Pantanal são ecossistemas importantes porque absorvem e armazenam mais carbono do que libertam. Com cerca de 200.000 quilómetros quadrados, o Pantanal compreende cerca de 3% das zonas húmidas do globo e desempenha um papel fundamental no ciclo do carbono.

Quando estes ecossistemas ricos em carbono ardem, grandes quantidades de gases que retêm o calor são libertados de volta para a atmosfera, contribuindo para o efeito estufa que, por sua vez, leva a um aumento da temperatura.

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“O Pantanal é muito importante para o planeta, tem áreas selvagens únicas que são fundamentais para a vida na Terra”, disse André Luiz Siqueira, o diretor executivo da ECOA, uma organização não-governamental (OGN) ambientalista sediada no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. “É vital que receba tanta atenção como a Amazónia”, sublinhou à CNN.

O Instituto Nacional de Investigação Espacial do Brasil (INPE) detetou mais de 21.200 incêndios no bioma Pantanal até agora este ano, um número que já é 69% superior ao recorde do ano inteiro de 2005, quando o INPE registou cerca de 12.500 incêndios. Só em setembro registaram-se 8106 incêndios – mais de quatro vezes a média histórica do mês.

De acordo com o World Wide Fund for Nature, o Pantanal apresenta a maior concentração de vida selvagem na América do Sul – mais elevada do que  a Amazónia.

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Mas a estação seca deste ano tem sido a mais severa desde os anos 70. “Tem havido uma situação de emergência climática, com uma grande seca, nunca antes vista”, disse ainda Siqueira.

Incêndios ocasionais são normais no Pantanal. Porém, as condições invulgarmente secas deste ano viram as chamas alastrarem mais e mais rapidamente porque havia menos barreiras naturais de água.

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