O pneumologista e coordenador do Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos, Filipe Froes, acredita que esta não é a pior fase que Portugal atravessa, dizendo mesmo que o país «ainda não está na fase critica», o pior está por vir.
Em declarações à SIC Notícias, Filipe Froes considera que «chegámos a este ponto porque desvalorizámos a pandemia, não tirámos as devidas ilações da primeira onda e não tivemos capacidade de interpretar os sinais que foram aparecendo, sobretudo no inicio de Outubro».
«O Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos no dia 10 de Agosto fez um comunicado em que alertava que era o mês ideal para nós tratarmos de diminuir a atividade pandémica, para aumentar a nossa reserva e atrasar o inicio da segunda onda», afirma dizendo que a chegada da segunda onda era «mais do que evidente para quem estava no terreno».
Filipe Fores indica que atualmente «estamos numa segunda em que o Outono vai a meio e o Inverno ainda não chegou e estamos no meio de uma subida ascendente», o que significa, segundo o especialista que «ainda não estamos na fase critica, isto vai continuar a subir».
«Estamos numa fase ascendente da segunda onda, em que não sabemos quando acaba, onde acaba, nem como acaba. Por isso agora temos de fazer um esforço enorme para tentar começara a achatar a curva», afirma acrescentando que «ainda possível e quanto mais tarde adiarmos as medidas necessárias, mais tarde começamos a achatar a curva».
O responsável sublinha ainda a importância de «salvar os portugueses», mais do que qualquer outra atividade económica. «Antes de salvarmos restaurantes ou hotéis, temos de salvar os portugueses, porque sem eles não há país e não há qualquer outra atividade».
Para Filipe Froes as medidas implementadas pelo Governo nesta fase «são já insuficientes e tardias», uma vez que as decisões estão a ser tomadas «com base nos números de hoje que refletem uma realidade de há três, quatro dias», defende acrescentando que «as medidas devem ser tomadas numa perspetiva de evitar o que se aproxima».
«Devíamos estar a pensar em medidas para a possibilidade dos 10 mil casos diários e previsivelmente cerca de 100 óbitos por dia, bem como mais de 500 internamentos em unidades de cuidados intensivos. Se isto acontecer vai ser uma situação de quase rutura do Serviço Nacional de Saúde», refere sublinhando que estas são as previsões já para o próximo mês de Dezembro.






