Crescer na autenticidade

Mudança de marca, reforço de programas, lançamento de novos programas online e viver novo paradigma. estes são alguns dos desafios da instituição para construir o futuro

Executive Digest

Esta é a melhor altura para pensar e repensar estratégias. Não há melhor momento do que agora porque é na crise que se pode encontrar as bases para se poder chegar mais longe e estar mais forte. Em entrevista à Executive Digest, José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education, fala da formação de executivos, de novas experiências de aprendizagem e também do futuro da instituição.

A mudança da marca de INDEG-ISCTE para ISCTE Executive Education foi mesmo antes de acontecer tudo isto com a COVID-19. Acha que teve impacto?



Diria que sim e há várias razões para isso. Mesmo em tempos de crise verificam-se os três princípios orientadores desta mudança: 1) A marca forte, de onde vem a notoriedade, é ISCTE e o próprio ISCTE procurou fazer uma simplificação da sua comunicação, com isto alinhámos com o trabalho que foi feito pelo ISCTE e que me parece muitíssimo bem feito, em crise esta opção é claramente vencedora face ao ruído comunicacional que tem existido; 2) Os alumni INDEG são também ISCTE pelo que todos os alumni ISCTE são muitos mais em número que os do INDEG, não obstante os números do INDEG que, com 32 anos de existência, são simpáticos, os alumni são o principal activo – minha opinião – de uma universidade, outra opção vencedora face ao enorme ruído que existe em tudo o que são meios de comunicação; 3) A comunicação global a uma só voz, ISCTE, amplia muito mais a marca do que cada entidade do universo, por si própria e de forma autónoma, comunicar desintegradamente. O efeito exponenciador teve vantagens durante a crise.

Quais os valores que distingue na marca ISCTE Executive Education?

Se pegarmos nos quatro pilares distintivos do ISCTE facilmente percebemos que o estar próximo, o ser inclusivo, o ser urbano e o ser multidisciplinar transmitem bem o que também queremos afirmar e a forma como nascemos, crescemos e nos posicionamos. Em primeiro lugar nascemos da prática. Do saber fazer. De pessoas que estavam no mercado e queriam partilhar com outros conhecimento e fazer crescer empresas. Saber fazer sempre foi um mote e uma característica do nosso ADN. Daí a assinarmos Real-Life Learning foi um passo. Depois, to be at the forefront of executive education when it comes to real-life solutions, é para nós a ambição. Não é um valor mas um driver. O nosso BHAG. Com isto, e aglutinando os nossos valores nos do ISCTE, perfilhamos a verdade para com a nossa origem e estamos acometidos com a excelência, sempre apaixonados por pessoas e respeitando o individualismo de cada qual, somos dados a relações longas, para a vida (somos inclusivos e próximos), inovamos, co-criamos e celebramos conjuntamente (o nosso cosmopolitismo e a vontade de andarmos à frente torna-nos muito urbanos e multidisciplinares). Fazendo tudo isto de forma íntegra. E os 32 anos de actividade mostram isso mesmo. Se houvesse dúvidas disto a prova está na forma como estamos próximos, como temos sido inclusivos, como somos multidisciplinares na travessa desta crise em meio urbano. Sempre juntos.

Onde está o centro cultural do ISCTE Executive Education?

No saber fazer. No existir na realidade. Na capacidade de adaptação. No sermos nós mesmos, nós próprios, nós autênticos. É, de resto, essa a grande marca presente no ISCTE enquanto instituição. Autenticidade e poder crescer na autenticidade e na realidade. O ISCTE Executive Education perfilha isso mesmo. O Real-Life Learning é uma assinatura que remete para a nossa origem e a nossa experiência prática. Saber fazer e viver e aprender com a realidade. E como temos estado a aprender com esta realidade… fomos talvez das poucas escolas de formação de executivos que não parou um só dia e mudámos tudo do presencial para o online em 24 horas.

Estava fora, na NOVA SBE, pelo que voltar ao ISCTE e para este lugar foi mais que uma decisão de aceitar o desafio, ou não? E agora com estas circunstâncias…

Claro que sim. Mas os desafios são isso mesmo. No meio deste desafio há uma coisa interessante: começa a sentir-se que o mercado do ensino superior é um mercado a funcionar em Portugal. E que as pessoas não têm de nascer, crescer e morrer na mesma universidade. E, a par com isso, que o mercado da formação de executivos é um mercado também a funcionar. As circunstâncias de crise passado um ano de ter assumido o cargo, pois ninguém poderia prevê-las. Estou a dar tudo o que posso para transformar o que pode correr menos bem em oportunidades e mudança.

Quais são os grandes desafios agora, depois da mudança da marca, para o projecto?

Repare. O grande desafio é e será sempre levar o ISCTE Executive Education mais longe. E o mais longe é mais programas e empresas, mais penetração, mais e novos clientes, mais e melhores formatos e, claro, internacionalizar e exportar formação de executivos. Em circunstâncias de crise é importante manter o que se tem e construir futuro. É pois a melhor altura para pensar e repensar estratégia. Não há melhor momento do que agora.

Mas há-de haver alguma questão mais do que só manter a operação e/ou internacionalizar, certo?

Claro que sim. Manter porque quero perpetuar a operação para além do imediato. E criar na crise as bases para poder chegar mais longe e estar mais forte. A internacionalização porque faz também parte da preparação para mundos novos e diferentes. Internacionalizar é um imperativo, com ou sem crise. É mandatório. Portugal é um mercado demasiado restrito para não pensar fora de portas. Mais, temos inúmeros alumni e empresas e instituições parceiras fora de portas que nos ajudarão a percorrer este caminho. Portanto a palavra de ordem é ir para fora. E mesmo em crise, ou por causa dela, temos de saber ser globais.

Tem passado a sua vida ligado à formação de executivos. Porquê?

Porque é uma vocação, um gosto. Sempre gostei de dar aulas a executivos (e não só) e acho que os resultados que sempre obtive espelham também esse gosto. Como tenho uma grande ligação a empresas e passei por vários cargos em empresa, para além de ter tido a experiência de criar empresas, julgo que o melhor dos dois mundos, para mim, é juntar o ensino com o lado da formação de executivos. E aprendo sempre muito com todos os participantes em programas de executivos o que me permite estar sempre melhor preparado para os próximos passos, grupos e participantes.

Se tivesse que escolher o programa(s) mais emblemático(s) do ISCTE Executive Education qual(ais) escolheria? Porquê?

O Executive MBA. Não por ser um MBA. Mas por ser um programa de longo curso, um life change event. Atenção que o programa não “fala e se exprime” por si. O programa cria nos participantes uma partilha, um espírito de coesão, uma resiliência, uma exposição a muitos conteúdos que lhes permitem amadurecerem mais rapidamente e tomarem melhores decisões. Um MBA é um programa para resilientes. Para duros. Para aqueles que querem mesmo mudar a vida. Agora, não basta ter um MBA. É preciso saber utilizar o MBA e isso não é para todos. Há participantes que o sabem fazer muito bem. Há, como em tudo na vida, participantes que não o sabem fazer – infelizmente. Agora com apenas 18 meses e a experiência internacional na London Business School penso que está bem mais atractivo. O tempo de implicação é menor. O apelo da LBS é maior. O programa está com bastante mais experiências – mais experiencial. E a acreditação AMBA mantém-se. São factores críticos de sucesso e que darão os seus frutos. Não posso, no entanto, dizer que por ser mais emblemático seja único. Não é. Vive integrado num ecossistema de programas onde, através deles (ou por sua causa), consegue capitalizar as suas melhores valências. Os executives masters, as pós-graduações e o advanced, para só mencionar algumas categorias de produtos, são absolutamente essenciais para criarem o portefólio.

Diga-me uma característica pessoal positiva que faça de si a pessoa para este projecto?

Falar em causa própria é sempre difícil. Continuarei sempre a dizer a criatividade. Acho que sou um criativo por natureza e estou sempre a procurar mudar, introduzir novos formatos, novas aproximações, novas experiências. Isso é bom para um mercado competitivo e onde a distinção é importante. Mas… posso dizer mais uma? Muito trabalho. Sou muito amigo do trabalho e gosto de trabalhar. Estas duas características têm-me sido muitíssimo úteis para atravessar esta crise. Muito mesmo.

E como vai ser o futuro do ISCTE Executive Education?

Sinto que vai ser muito positivo. Vamos lançar um conjunto de cursos online inovadores. Com verdadeiras experiências de aprendizagem. Vamos relançar executive masters e pós-graduações. Vamos relançar o conjunto de advanced programs. E manter os Boost programs de curta duração, online e presenciais. Apesar de a formação de executivos ser dos sectores mais fustigados por uma crise como esta, por causa do confinamento e pelo distanciamento social necessário, estou confiante que vamos marcar diferenças face aos nossos players concorrentes. A começar pelo facto de termos as condições ideais para trabalhar o presencial com afastamento social. O que nos fará baixar medos e conviver com o futuro próximo e mais longínquo de uma forma muito salutar.

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