A Renault é um actor nuclear para a transição para uma mobilidade mais sustentável. Há 10 anos foi pioneira no desenvolvimento e comercialização de automóveis eléctricos mas tendo vindo a ser pioneira, também, na colaboração com autoridades nacionais e regionais, com organismos públicos e privados no desenvolvimento de soluções e de tecnologias com vista a tornar cada vez mais sustentáveis ecossistemas completos. Para a Renault tornar a mobilidade mais sustentável (ou se quisermos, mais eficiente) não passa apenas pela introdução de novas formas de propulsão como os automóveis eléctricos ou híbridos. Passa também pela criação de ecossistemas globalmente mais sustentáveis como, por exemplo, uma cada vez maior predominância de energias renováveis.
Um dos exemplos, e certamente um dos mais interessantes, é o projecto Porto Santo Smart Fossil Free Island que visa tornar, a prazo, a ilha do Porto Santo num ecossistema totalmente “livre” de combustíveis fósseis. «A Renault é parceira do Governo Regional da Madeira neste projecto através do qual estamos a testar o desenvolvimento e implementaçao de novas tecnologias como, por exemplo, o carregamento bidireccional de automóveis eléctricos, o carregamento inteligente em função da carga de utilização da rede eléctrica e o armazenamento estacionário de energia eléctrica recorrendo a baterias usadas em automóveis eléctricos», explica fonte oficial da construtora.
Este último ponto é também o exemplo de criação de uma economia circular em que as baterias, cuja capacidade de armazenagem já não se adequa à utilização no automóvel, encontram uma nova vida de utilização como dispositivos de armazenamento de energia que podem ser aplicadas em domicílios, edifícios de escritórios e unidades industriais ou integrados na rede de distribuição de electricidade como é o caso no Porto Santo.
A aliança Renault-Nissan foi absolutamente pioneira no desenvolvimento e comercialização de automóveis eléctricos numa altura em que o clima predominante era de cepticismo em relação a esta nova forma de mobilidade. A aliança fez da mobilidade eléctrica um desígnio estratégico e antecipou, em quase uma década, aquele que é um caminho que agora todos os construtores estão a trilhar.
«E no futuro vamos colocar o avanço tecnológico que adquirimos ao longo destes 10 anos ao serviço dos nossos clientes, oferecendo mais produtos que serão cada vez mais adaptados às suas necessidades e exigências. E em paralelo iremos introduzir, a curto prazo, novas soluções tecnológicas com uma gama de modelos híbridos e híbridos plug-in nas quais aplicamos várias tecnologias directamente retiradas da experiência da marca na Fórmula 1», acrescenta fonte oficial da empresa.
Sucesso
O modelo de maior sucesso é evidentemente o Zoe, o que aliás corresponde integralmente à análise que fizeram desde o início sobre as características dos modelos que mais rapidamente se implantariam enquanto modelos 100% eléctricos. «Mas estamos convencidos que os comerciais ligeiros serão soluções cada vez mais adaptadas para a distribuição em meio urbano e que este mercado terá um crescimento muito significativo nos próximos anos», afirma fonte oficial.
Sobre como a eficiência energética está presente nas fábricas, a Renault explica que as unidades industriais do sector automóvel são, por definição, grandes consumidoras de energia devido à sua especificidade e dimensão. A Renault foi dos primeiros construtores automóveis a dotar várias das suas fábricas com a produção de energia solar de forma a maximizar a utilização de energia de base renovável. Este tipo de acções conjugadas com a introdução de novas tecnologias de produção, energeticamente mais eficientes, permitiu reduzir a pegada ecológica em mais de 20% nos últimos cinco anos.
Em relação aos principais desafios no que respeita à expansão da mobilidade eléctrica em Portugal, os responsáveis não têm dúvidas. «A percepção geral do público!» E explicam. «O automóvel eléctrico, em comparação com os automóveis térmicos, é percepcionado como “caro”, “com reduzida autonomia” e “difícil de reabastecer”. Esta percepção foi criada, e na verdade alimentada, ao longo de uma década.»
Mas o normal e expectável desenvolvimento tecnológico tem vindo a aproximar os custos e as autonomias dos automóveis 100% eléctricos aos seus equivalentes a combustão mas esta ainda não é a percepção geral. É preciso continuar a trabalhar sobre isso e, sobretudo, dando a possibilidade à generalidade das pessoas de contactarem com um automóvel eléctrico. Apesar da percepção geral, a grande maioria das pessoas nunca experimentou um automóvel eléctrico e são ainda menos aqueles os que puderam “conviver” algum tempo com a utilização de um automóvel eléctrico.
«Subsiste a necessidade de desenvolver mais rapidamente uma rede de carregamento que dê garantias de um acesso fácil a todos aqueles que não dispuserem de sistemas próprios no domicílio ou no local de trabalho», alerta fonte oficial da construtora.
Evolução
A mobilidade do futuro será um misto de veículos eléctricos, híbridos ou de combustão, acredita a Renault. «No imediato sim. A oferta de alternativas aos motores de combustão não vai parar de crescer e portanto existirá cada vez mais possibilidade de escolha por parte dos consumidores em função das suas necessidades e exigências.» Se pensarmos que num prazo de tempo extremamente curto os automóveis eléctricos se tornarão uma realidade quase incontornável não parece muito lógico extrapolar a mobilidade do futuro a partir da realidade de hoje. É perfeitamente possível, quiçá provável, que apareçam novas tecnologias que podem rapidamente instalar-se. Um dado é relativamente seguro. As imposições relativas às emissões poluentes dos automóveis vão ser ainda mais exigentes e isso não deixará de ter consequências, a curto e médio prazo, sobre o paradigma da mobilidade individual.
Para a Renault também os consumidores portugueses estão cada vez mais sensibilizados para o tema da mobilidade eléctrica e eficiência energética. «No que diz respeito às questões da mobilidade, mesmo ressalvando uma percepção que não sendo ainda a mais positiva vai certamente evoluir, a resposta é: sim!»
Em relação a novidades, podemos destacar o Renault Morphoz e o Renault Kwid. O primeiro é um puro concept-car que, portanto, não dará, directamente, origem a nenhum modelo da gama Renault. No entanto, enquanto concept- -car prefigura algumas soluções de design que no futuro a Renaut adoptará nos seus modelos eléctricos. E o Morphoz mostra também soluções tecnológicas como a possibilidade de utilização de baterias com diferentes capacidades de armazenagem de energia que podem ser utilizadas em função do tipo de utilização (menores ou maiores distâncias) necessária num determinado momento. O Dacia Spring eletric show-car é de uma natureza diferente. Enquanto show-car deixa antever as linhas de um futuro modelo 100% eléctrico para a marca Dacia que deverá ser comercializado em 2021. Os detalhes ainda são reservados, mas este futuro modelo cumprirá com a filosofia da marca Dacia e será comercializado a um preço imbatível.




