Taxa de pobreza em Portugal atinge o valor mais baixo desde 2003

Portugal atingiu o valor mais baixo, em 16 anos, relativamente ao número de pessoas em situação de carência económica ou de bens duradouros. No entanto, os mais jovens estão em risco.

Filipa Almeida

No ano passado, Portugal atingiu o valor mais baixo, em 16 anos, relativamente ao número de pessoas em situação de carência económica ou de bens duradouros. Em 2019, a taxa de privação material severa era de 5,6%, o que compara com os 9,9% de 2004 ou com os 10,9% de 2013. Os números são apontados pela Pordata, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Segundo a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, os mais jovens correspondem ao grupo etário com a taxa de risco de pobreza mais elevada, depois das transferências sociais, olhando para o período que vai de 2007 a 2018. Neste último ano de análise, embora se tenha verificado o valor mais baixo, 18,5% dos menores de 18 anos estava em risco de pobreza.



2018 foi também o ano com o menor número de pessoas consideradas pobres em Portugal, desde 2003, com uma taxa de risco de pobreza de 17,2%. São sinais positivos para o País, que parece estar a evoluir na direcção certa: as taxas mais elevadas registaram-se em 2003, 2013 e 2014, quando a pobreza atingiu cerca de um em cada cinco indivíduos.

Os números alteram-se, porém, se não forem consideradas quaisquer transferências sociais (pensões de velhice e sobrevivência, apoios à família ou desemprego, por exemplo). Nesse caso, a proporção de pobres representaria 43,4% da população há dois anos.

A Pordata entende por taxa de risco de pobreza a proporção de indivíduos com um rendimento equivalente abaixo do limiar de risco de pobreza, que corresponde a 60% do rendimento nacional mediano por adulto equivalente. Entre 2003 e 2018, este limiar aumentou 776 euros, a preços constantes.

No entanto, entre 2010 e 2013, registou-se uma inflexão em relação aos anos anteriores, tendo passado de 5.434 euros em 2010 para 4.960 euros em 2012, por exemplo. Só em 2018, indica a base de dados, foi possível superar o valor de 2009.

Além disso, em Portugal, é considerado pobre quem aufere um rendimento mensal por adulto próximo dos 500 euros. Face ao resto da União Europeia, a Pordata indica que, por exemplo em Portugal é pobre quem ganha menos de 580 PPS (PIB per capita) por mês e na Áustria quem ganha menos de 1.184 PPS por mês.

No ano passado, uma em cada três pessoas em Portugal não tinha capacidade para assegurar o pagamento de despesas inesperadas.

Como seria viver sem o apoio do Estado?

Ainda relativamente às transferências sociais, a Pordata indica que ” a esmagadora maioria da população com 65 ou mais anos seria pobre” sem este tipo de apoios. E, mesmo após as transferências sociais, cerca de 17% desta faixa etária vivia numa situação de pobreza em 2018.

Entre 2003 e 2006, quase um em cada quatro cidadãos com 65 ou mais anos era pobre. Por seu turno, 2012 e 2013 foram os anos em que Portugal verificou um menor número de pobres entre os idosos.

Em 2019, mais de 267 mil pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção, sendo este o valor mais baixo atribuído desde 2006. Deste total, mais de metade corresponde a mulheres (51,6%) e mais de dois em cada cinco (41,2%) têm menos de 25 anos.

Segundo a Pordata, descontando o efeito da inflacção, as pessoas que recebem o salário mínimo contam hoje com mais 99 euros do que em 1974. Por seu turno, os beneficiários das pensões mínimas de velhice e invalidez do regime geral da Segurança Social recebem praticamente o mesmo desde então.

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