Regresso às aulas com o orçamento mais baixo dos últimos 4 anos. Portugueses gastam em média 340 euros

O estudo mostra que, pela primeira vez, há um aumento dos que não gastarão mais de 250 euros, sendo agora este o valor indicado pela maioria (51%), mais 11 pontos percentuais face ao ano anterior (40%).

Sónia Bexiga

Este ano, o gasto médio previsto pelos encarregados de educação com as compras para o regresso às aulas é de 340 euros, o valor mais baixo despendido pelas famílias para o período nos últimos anos, de acordo com o estudo “Observador Cetelem Regresso às Aulas 2020”, divulgado esta quinta-feira.

Segundo apurou o estudo, em 2016 as intenções de gastos dos encarregados de educação no regresso às aulas eram de 455 euros, diminuindo para 399 euros em 2017. Esta tendência de diminuição das previsões de gastos verificou-se também em 2019 (363 euros) – sendo apenas interrompida em 2018, com os gastos a atingirem, em média, 487 euros.

Sobre este ano, o estudo mostra que, pela primeira vez, há um aumento dos que não gastarão mais de 250 euros, sendo agora este o valor indicado pela maioria (51%), mais 11 pontos percentuais face ao ano anterior (40%). Já 22% dos portugueses com estudantes a seu cargo têm a intenção de gastar em média entre 251€ e 500€ e 6% gastarão mais de 501€ (-3 p.p.), enquanto 21% disseram não saber ou optaram por não responder.

À semelhança de outros anos, parece continuar a haver uma relação direta entre a intenção de gastos com o regresso às aulas e o nível de ensino: no ensino pré-escolar os gastos médios são cerca de 285 euros; no 1.º Ciclo de 329 euros; no 2.º ciclo rondam os 352 euros e no 3.º ciclo 338 euros. Aumentam ainda significativamente a partir do ensino secundário, a custar uma média de 392 euros.

Em comparação com o ano passado, o único grau de escolaridade onde há um aumento nas intenções de gastos é no 1º ciclo (mais 17 euros). E enquanto no ensino privado os gastos se mantém praticamente inalterados face ao ano anterior (388 euros versus 386 euros), reduzem nos que têm estudantes no ensino público (336€, -7 p.p.).

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Gestão orçamental e poupança

Segundo os analistas, esta diminuição dos gastos das famílias com o regresso às aulas poderá estar relacionada, por um lado, com o facto de a maioria dos encarregados de educação obterem hoje gratuitamente os manuais escolares, que representavam antes um peso significativo nos orçamentos familiares; mas também com uma tendência de maiores níveis de poupança, uma vez que apenas 1/5 dos encarregados de educação tenciona manter as despesas com a educação iguais ou semelhantes às de 2019.

No total, 60% dos inquiridos acredita que terá de poupar neste regresso às aulas, sendo que 37% refere já ter poupanças e, em oposição, 32% referem não ter poupanças nem tem intenções de as fazer. 33% dizem que os gastos com o regresso às aulas são influenciados pela redução de rendimentos do agregado devido ao confinamento; e para 26% os gastos vão depender da evolução da situação epidemiológica, comprando apenas o material necessário. Já 24% dizem que os seus gastos são influenciados pela situação profissional de um membro do agregado familiar; e apenas para 17% irão manter-se iguais aos do ano passado.

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Os inquiridos que vão obter manuais escolares de forma gratuita referem que o montante que iriam despender neste material será agora utilizado em despesas familiares correntes (68%) e na aquisição de outro material escolar (42%), ao passo que 12% destinarão essa verba a poupanças e 3% reservam o montante para despesas com férias.

Já em semanada, que constitui também uma fatia relevante para os agregados, os encarregados indicam disponibilizarem, em média, 26 euross por semana para os estudantes gastarem no período de aulas – mais 6 euros face ao ano anterior.

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