Brexit: Nova ronda negocial com cenário de ‘no deal’ cada vez mais próximo

União Europeia (UE) e Reino Unido iniciam hoje, em Londres, a oitava ronda de negociações sobre a relação no pós-‘Brexit’, com o cenário de um ‘no deal’ cada vez mais próximo, face à persistente ausência de progressos.

Executive Digest com Lusa

União Europeia (UE) e Reino Unido iniciam hoje, em Londres, a oitava ronda de negociações sobre a relação no pós-‘Brexit’, com o cenário de um ‘no deal’ cada vez mais próximo, face à persistente ausência de progressos.

O chamado ‘período de transição’, contemplado no Acordo de Saída negociado entre as partes e consumado em Janeiro passado, termina em 31 de Dezembro, mas, por questões processuais e jurídicas, as partes devem chegar a um acordo sobre as relações futuras, designadamente a nível comercial, o mais tardar até final de Outubro, cenário que se afigura cada vez menos provável à luz da evolução das negociações e das recriminações de parte a parte.

Numa entrevista publicada no domingo pelo jornal Mail on Sunday, o negociador-chefe britânico, David Frost, sublinha que o Reino Unido “não receia” deixar em definitivo o bloco europeu sem um acordo e diz que Londres está a preparar-se para esse cenário, uma posição em tudo idêntica à do seu homólogo europeu, Michel Barnier, que há muito tem exortado os 27 a prepararem-se para o ‘não acordo’.

A ronda negocial que hoje se inicia em Londres tem lugar duas semanas após a sétima, celebrada em Bruxelas, e que terminou uma vez mais sem quaisquer progressos tangíveis e com acusações recíprocas.

No final da ronda negocial de Agosto, Michel Barnier afirmou-se “desiludido e preocupado” com a ausência de progressos, argumentando que, “tal como na ronda de Julho, os negociadores britânicos não mostraram qualquer vontade de progredir em questões fundamentais para a UE”.

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Barnier lamentou que, “apesar de toda a flexibilidade” demonstrada pela UE nos últimos meses para “trabalhar nas três linhas vermelhas” traçadas por Boris Johnson para esta negociação – o papel do Tribunal de Justiça da UE, a autonomia legislativa do Reino Unido e as pescas -, ainda não se tenha observado “uma preocupação recíproca” do lado britânico com as matérias prioritárias para os 27, que, sublinhou, “são as mesmas desde 2017”.

“Não percebo porque estamos a perder tempo valioso […]. Para ser franco, não estou a ver como deixar para mais tarde as questões mais difíceis”, apontou, insistindo em que, nesta fase, um acordo é praticamente “impossível”.

Já David Frost acusou na altura a UE de estar a tornar as negociações da saída do bloco europeu “desnecessariamente difíceis”, por querer impor um compromisso para manter Londres vinculada a políticas europeias de apoios estatais e pescas antes de avançar noutros dossiês.

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“Existem outras áreas importantes que ainda precisam ser resolvidas e, mesmo naquelas em que existe um amplo entendimento entre os negociadores, há muitos detalhes que precisam de ser trabalhados. O tempo é curto para ambos os lados”, admitiu.

A fase de transição que foi negociada após a saída formal do Reino Unido da UE, em 31 de Janeiro deste ano, e que manteve o acesso do país ao mercado único europeu e à união aduaneira, termina em 31 de Dezembro.

Se UE e Reino Unido não conseguirem chegar a um acordo atempadamente, apenas as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), nomeadamente os direitos aduaneiros, serão aplicáveis a partir de Janeiro de 2021 às relações comerciais entre Londres e os 27.

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