As probabilidades de o Reino Unido sair da União Europeia (UE) sem um acordo comercial aumentaram substancialmente, uma vez que as negociações foram ameaçadas pela insistência de Londres de que teria total autonomia sobre os planos de ajuda estatal, segundo negociadores e diplomatas citados pela ‘Reuters’.
O Reino Unido deixou a UE a 31 de Janeiro. A saída britânica ocorreu depois de mais de três anos de disputas sobre um acordo de saída desde o referendo de 2016, que enviou ondas de choque nos mercados financeiros globais.
Contudo, o período de transição só termina no final do ano e desde Janeiro que as negociações sobre um novo acordo comercial tiveram poucos avanço, o que faz aumentar os receios em Londres, Bruxelas e noutras capitais europeias, de que uma saída britânica sem um acordo comercial possa semear ainda mais caos o económico, no meio de uma pandemia que afectou as economias de todo o bloco.
«As probabilidades de um acordo, ou não acordo, são de 50/50», disse um diplomata sénior da UE, citado pela ‘Reuters’. «Não houve absolutamente nenhum avanço do lado britânico nas negociações. Se essa abordagem não mudar rapidamente, não seremos capazes de negociar um acordo a tempo», acrescentou.
Por sua vez uma fonte britânica próxima do assunto disse que a UE está a desacelerar as negociações e deve entender que as suas investidas sobre ajudas estatais e pesca não são compatíveis com o status da do Reino Unido como um país independente.
«Também tentámos constantemente prosseguir com as discussões, mas fomos impedidos de o fazer por uma UE que insiste que tudo deve acontecer da forma mais difícil», disse a fonte à ‘Reuters’. «O pedido europeu para que aceitemos a continuidade dos apoios estatais da UE e da política de pescas simplesmente não é compatível com o nosso status de país totalmente independente», acrescentou.







