A União Europeia (UE) reprovou a proposta britânica que consistia na criação de um sistema para reunir crianças refugiadas com as respectivas famílias residentes no Reino Unido ou na Europa, causando preocupações sobre o risco que os mais jovens correm nas perigosas travessias do Canal da Mancha, avança o ‘The Guardian’.
O governo britânico propôs um acordo pós-Brexit que visava manter as transferências de crianças refugiadas para junto dos seus familiares residentes no Reino Unido ou na UE, embora sem obrigação de nenhuma das partes.
Uma autoridade europeia disse ao ‘The Guardian’, que o negociador chefe do Brexit, Michel Barnier, não iria aprovar essa medida nas negociações actuais que devem terminar no final de Outubro porque a regra «não faz parte do mandato da UE».
De acordo com uma segunda fonte europeia, a medida também não foi bem recebida por parte dos países da UE, que consideram que «não acrescenta nada», disse adiantando que qualquer caminho a seguir provavelmente será feito através de acordos bilaterais entre o Reino Unido e cada país do bloco, individualmente.
A UE rejeitou um pacto de migração mais amplo, que incluía também adultos, por razões semelhantes.
Beth Gardiner-Smith, directora executiva da Organização Não Governamental (ONG), ‘Safe Passage’, considera que a ausência de qualquer acordo será «bastante catastrófica» para as crianças refugiadas que a sua ONG apoia. «Tratam-se de crianças desacompanhadas na Grécia, em França e em outras zonas da Europa que têm família no Reino Unido, tendo o direito legal de se unirem a esses membros», explica.
A responsável teme que muitos sintam que não têm escolha a não ser fazer perigosas travessias no Canal da Mancha ou outras viagens arriscadas. «Sem rotas seguras e legais para se juntarem aos seus familiares, para se reunirem com a família, as crianças acabam por procurar caminhos alternativos, muitas vezes perigosos», alerta.







