Tempos de crise para negociações «verdes». Preços de CO2 quase a bater recordes

Os legisladores europeus vão tomar uma série de decisões sobre a política climática que provavelmente farão aumentar a incerteza do mercado de dióxido de carbono (CO2), onde os preços estão perto de bater recordes.

Simone Silva

Os legisladores da União Europeia (UE) vão tomar uma série de decisões sobre a política climática na próxima semana que provavelmente farão aumentar a incerteza do mercado de dióxido de carbono (CO2), onde os preços negociados estão perto de bater recordes não registados há 14 anos, segundo a ‘Bloomberg’.

Em causa está o ritmo de redução das emissões de CO2 no Acordo Verde europeu, numa altura em que o bloco de 27 nações procura recuperar-se da recessão mais profunda em gerações. Uma meta de emissões mais rigorosa, vai apoiar preços de carbono mais elevados.

«Nas próximas semanas serão tomadas decisões políticas sobre o Acordo Verde e a lei climática que vão definir a incerteza do mercado», disse Bernadett Papp, analista de carbono da Vertis Environmental Finance em Budapeste.

As comissões do Parlamento Europeu vão começar a votar uma lei histórica para eliminar os gases de efeito estufa, uma medida que será «a espinha dorsal legal» do Acordo Verde da UE, numa estratégia climática que vai afectar tudo, desde a geração de energia até ao transporte e à agricultura.

A lei do clima tem de ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos governos nacionais, sendo que cada um deles tem o direito de solicitar rectificações a um projecto apresentado pela Comissão Europeia em Março.

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A comissão também está a planear propor, no final de Setembro, uma nova meta para 2030 de corte de emissões, que provavelmente vão rondar os 55%. O objectivo actual é uma redução de 40% em relação aos níveis de 1990.

«Os próximos meses serão um momento crucial para traduzir o Acordo Verde em metas e acções concretas», disse a Comissária de Energia da UE, Kadri Simson.

O governo alemão, que detém a presidência rotativa da UE até o final deste ano, espera que a comissão proponha este mês um objectivo de redução de emissões para 2030, que se fixe entre os 50% e os 55%.

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Uma proposta de comissão para elevar a meta para 55% seria «definitivamente positiva» para o mercado de carbono, onde muitos investidores já apostam nessa decisão, segundo Mark Lewis, director de sustentabilidade do BNP Paribas Asset Management. «Se a comissão recomendar apenas 50%, será um anúncio muito decepcionante para o mercado», acrescentou.

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