As alterações climáticas, sobretudo o calor intenso, estão a avançar tão rapidamente que constituem sérios riscos para as unidades nucleares dos Estados Unidos, de acordo com um novo relatório do Moody’s Investors Service, citado pela agência ‘Bloomberg’.
«As nossas fábricas são bastante resistentes a climas intensos», disse David Kamran, especialista em projectos e infraestrutura da Moody’s e principal autor do relatório. No entanto, ressalvou, «as alterações climáticas estão a avançar muito rapidamente».
As fábricas nucleares dos Estados Unidos produzem cerca de 20% da electricidade do país e representam mais da metade de toda a geração de energia sem carbono. Depois do terramoto e do tsunami que causou o colapso da fábrica nuclear de Fukushima-Daiichi, no Japão, em 2011, a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos pediu às suas fábricas que realizassem as próprias avaliações dos riscos das alterações climáticas e outros desastres naturais.
Uma revisão feita pela Bloomberg em 2019, com dados da Comissão e dos proprietários de 60 fábricas, no que diz respeito a essas avaliações descobriu que 54 delas não foram projectadas para lidar com o risco de calor intenso que agora enfrentam.
O novo relatório é o resultado de uma análise conduzida pela Four Twenty Seven Inc., uma empresa de dados de risco climático adquirida pela Moody’s no ano passado. O grupo avaliou os efeitos potenciais da exaustão devido ao por calor, furacões, inundações e aumento do nível do mar em 57 fábricas nucleares dos Estados Unidos nos próximos 20 anos.
As conclusões ditam que enquanto várias fábricas, incluindo a Estação Nuclear Cooper em Nemaha, Nebraska e Prairie Island em Goodhue, Minnesota , enfrentam graves riscos de enchentes, muitas outras enfrentarão ou já se encontram a enfrentar condições extremas devido ao calor excessivo.
As fábricas nucleares são refrescadas com água contudo, em tempos de calor intenso e seca, os recursos hídricos podem tornar-se muito quentes ou muito escassos. O relatório prevê que as fábricas nucleares nos estados das Montanhas Rochosas, na região do Rio Colorado e na Califórnia enfrentem os níveis mais altos de exaustão hídrica, colocando-as em risco.
Kamran disse, numa entrevista recente, que este relatório não pretendia estimar o risco de um colapso, mas antes destacar a extensão das pressões ambientais que as fábricas terão de enfrentar se quiserem operar de forma consistente nas próximas décadas.



