“Europeus sairão da Covid-19 convencidos de que é preciso mais Europa”, defende Borrell

O vice-presidente da Comissão Europeia, Josep Borrell, considera que esta pandemia foi o “primeiro trauma de dimensão universal”.

Sónia Bexiga

O Alto Representante para a Política Externa da União Europeia e vice-presidente da Comissão Europeia, Josep Borrell, acredita que a pandemia do novo coronavírus pode ser considerada “o primeiro trauma de dimensão universal” da história e defende que os europeus “sairão desta crise convencidos de que é preciso mais Europa”.

“É claro que os grandes riscos do nosso mundo são os globais e este (a pandemia) é o mais global de todos, sendo que nenhum Estado os pode enfrentar sozinho”, frisou Borrell, que mais uma vez afirmou a necessidade de “reforçar a Integração europeia”, durante a inauguração na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP) de um curso que aborda o futuro da Europa após a crise da Covid-19, que o próprio coordena.

No discurso de abertura do curso, Borrell alertou que a crise “não acabou” nem do ponto de vista da saúde nem do ponto de vista económico e reconheceu que na Europa sofreu um “impacto assimétrico”.

“No início tivemos dificuldades de coordenação para dar uma resposta sanitária abrangente, justificável, visto que a UE tem muito poucas competências em matéria de saúde”, comentou Borrell, que considera que, posteriormente, a resposta da UE foi “forte e eficaz” e ajudou a amortecer os efeitos.

Nesse sentido, fez alusão ao pacote de medidas aprovadas pela Europa para a regeneração dos países membros que, na sua opinião, representa uma resposta “mais rápida e eficiente” do que a da crise do euro.

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No entanto, Borrell avisou que o preço desta crise da Covid-19 em termos de “coesão social e desigualdade no mundo vai ser muito grande” e, à luz disso, insistiu que deve ser reforçada a integração europeia.

Quanto aos efeitos da crise da Covid-19 noutras latitudes, como nos Estados Unidos, Borrell acredita que sairá deste choque “enfraquecido” atendendo à sua gestão da pandemia.

“É difícil imaginar que os Estados Unidos sejam agora capazes de relançar a sua economia como o fizeram em crises anteriores, como a crise financeira de 2008 ou a que, no início do século, ocorreu a partir de do ataque às Torres Gémeas”, ressalvou Borrell, dando ainda nota de que esta crise vai fortalecer a rivalidade estratégica entre os Estados Unidos e a China.

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Borrelldeixou ainda um alerta sobre o “grande sul” (América Latina, África e parte do Sudeste Asiático) que também está a ser “duramente afetado” pela crise e alertou que os “riscos sociais e políticos” naquela parte do mundo “são enormes”.

Nesse sentido, Borrell considera que a capacidade de ajudar aquela região do mundo será decisiva para conhecer “o papel que a Europa vai desempenhar no mundo” e também na rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

Na opinião do vice-presidente da Comissão Europeia, nunca tinha ocorrido “um trauma com uma dimensão tão global” como a pandemia da Covid-19, nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial.

Para Borrell, a pandemia COVID-19 tem sido o “fenómeno mais universal que conhecemos”, algo que atribui, entre outros aspetos,  “à extraordinária capacidade de difusão” que o vírus teve devido à “extraordinária conectividade que possui o mundo hoje, do ponto de vista da informação ou da mobilidade das pessoas. “A partir de março, o mundo inteiro, e talvez pela primeira vez na história, todos os seres humanos passaram a ter medo da mesma ameaça”, frisou.

Borrell acredita que a pandemia tem mostrado a “vulnerabilidade” da Europa em pontos, em sua opinião, “fundamentais”, exemplificando com a falta de capacidade de produzir equipamentos de proteção suficientes contra o vírus, ou dependência de antibióticos de países do fora da UE, como China e Índia.

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