Trump autoriza exploração de petróleo no refúgio de vida selvagem do Alasca

O governo de Trump prepara-se para aprovar esta segunda-feira um programa de transferência de exploração de petróleo no Refúgio de Vida Selvagem do Alasca.

Simone Silva

O governo de Trump prepara-se para aprovar esta segunda-feira um programa de transferência de exploração de petróleo no Refúgio de Vida Selvagem do Alasca (ANWR na sigla em inglês), de acordo com o ‘Wall Street Journal’ (WSJ).

Esta decisão vai libertar pela primeira vez uma área selvagem de 76.890 quilómetros quadrados para perfurações e será difícil para os democratas contrariarem a medida, se assumirem a Casa Branca em Novembro.

Segundo o WSJ, que cita o secretário da administração interna dos Estados Unidos, David Bernhardt, a aprovação do programa dá lugar a leilões «no final do ano». Esta decisão culmina mais de 30 anos de esforços das empresas e líderes de petróleo do Alasca para permitir a perfuração naquela área.

Quando o governo Trump propôs pela primeira vez a abertura do ANWR no Alasca para exploração de petróleo, previu que a perfuração traria um lucro para o Tesouro federal, de cerca de 1,8 mil milhões de dólares.

No entanto, posteriormente, uma análise do New York Times de casos semelhantes anteriores sugere que os benefícios seriam de apenas 45 milhões de dólares na próxima década. Mesmo a estimativa mais recente do governo federal é a metade do número previsto pela Casa Branca há dois anos.

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Actualmente os investidores estão a questionar esse mesmo valor, sobretudo numa altura em que as necessidades de petróleo bruto estão a ser afectadas pelo excesso de produção, para além da queda da procura decorrente da crise económica após a pandemia da Covid-19.

As reservas da ANWR são incertas e qualquer tipo de perfuração gera animosidade entre a opinião pública, o que faz com que muitas grandes empresas não tenham demonstrado grande interesse pelo assunto, segundo o WSJ.

Tanto o Goldman Sachs como o Wells Fargo estão entre as entidades financeiras que recusaram apoiar o financiamento deste tipo de actividade na área. Até a britânica BP, pioneira na perfuração de petróleo bruto no Alasca, decidiu no ano passado vender todos os seus activos no estado.

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Aqueles que estão contra a exploração defendem que o refúgio poderia sofrer danos eternos na procura por petróleo, que significariam pouco benefício para os contribuintes norte-americanos e danos irreparáveis ​​para o meio ambiente.

A assinatura deste contrato entre o governo norte-americano e as companhias petrolíferas em questão vai dificultar o adiamento ou cancelamento do plano de perfuração, mesmo que os democratas que se opõem ao plano ganhem o controlo do Capitólio e da Casa Branca, nas presidenciais de Novembro.

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