Petição que pede ilegalização efetiva de grupos de cariz fascista, racista e neonazi vai ser apreciada «logo no início dos trabalhos do parlamento»

Três dos ativistas ameaçados pelos neonazis da Nova Ordem de Avis foram os primeiros signatários da petição.

Revista de Imprensa

O parlamento demorou cerca de sete meses para avaliar pela primeira vez uma petição, que reuniu quase dez mil assinaturas, e visa «a ilegalização efectiva de grupos de cariz fascista/racista/neonazi», segundo o Diário de Notícias (DN).

O documento entrou na Assembleia da República em Dezembro de 2019 e só foi avaliado pela primeira Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos Liberdades e Garantias, a 7 de Julho. De seguida foi agendado para discussão em plenário, algo que só deve acontecer depois do próximo mês.

De acordo coma mesma publicação, a petição surgiu devido à organização de uma conferência internacional de neonazis, em Lisboa e os seus três primeiros signatários fazem parte do grupo de dez activistas que recebeu um email com ameaças racistas, assinado pela «Nova Ordem de Avis», são eles: Jonathan Costa, da Frente Unitária Antifascista (FUA); Vasco Santos, coordenador da FUA e Rita Osório, coordenadora da FUA Sul e membro da Plataforma Antifascista de Lisboa e Vale do Tejo (PALVT).

A petição pede que «seja considerado crime público a agressão em contextos semelhantes a este, ou seja, com motivações racistas e políticas. Frisam a necessidade de salvaguardar apoio e protecção às vítimas nestes contextos, reiterando a perseguição de que são alvo», segundo a súmula da audição.

As deputadas Joacine Katar Moreira e Beatriz Dias, também elas alvo das ameaças, apoiaram a petição na sua primeira audição parlamentar. Para a primeira, «estamos a viver em tempos de naturalização absoluta do discurso de ódio e uma tolerância enorme para com organizações que são simpatizantes de ideologia nazi, neonazi, fascistas, racistas, homofóbicas, misóginas», pelo que apoia «na íntegra as inquietações manifestadas pelos peticionantes».

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Já a segunda «defendeu que não se pode aceitar que existam grupos com exaltações de ódio e supremacistas que dominem o discurso político e o espaço público, pelo que o BE subscreve a petição e outras manifestações», segundo a mesma síntese citada pelo ‘DN’.

O porta-voz do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, confirmou ao ‘DN’ que a petição deu entrada neste gabinete no passado dia 7 de julho e será enviada à conferência de líderes, para agendamento da discussão em plenário, logo no início dos trabalhos do parlamento.

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