Governo propõe proteção policial a três deputadas alvo de ameaças racistas

As três deputadas que receberam ameaças racistas na quarta-feira foram contactadas pelo Governo com uma proposta de protecção policial, cujo intermediário foi o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares.

Executive Digest

As três deputadas que receberam ameaças racistas na quarta-feira foram contactadas pelo Governo com uma proposta de protecção policial, cujo intermediário foi Duarte Cordeiro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, de acordo com o jornal ‘Público’.

Mariana Mortágua, Beatriz Gomes Dias (ambas do BE) e Joacine Katar Moreira (não inscrita) foram alvo de emails com ameaças racistas, que lhes davam 48 horas para sair do país, sob pena de serem tomadas “medidas contra as dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”.

Segundo a mesma publicação, nem o BE, nem Joacine Katar Moreira quiseram confirmar ou sequer comentar esta proposta por parte do Governo. Por sua vez, Duarte Cordeiro admitiu ter tomado a iniciativa de entrar em contacto com as deputadas, sendo ele o “intermediário” da sugestão, no entanto não quis prestar mais comentários, remetendo outras questões para o Ministério da Administração Interna (MAI), que também não respondeu ao contacto do ‘Público’.

O Ministério Público instaurou um inquérito-crime, na quinta-feira, na sequência de várias deputadas e de a associação SOS Racismo terem recebido ameaças via e-mail e depois da autoproclamada “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional” ter feito uma vigília junto à associação.

“Confirma-se a instauração de inquérito, no âmbito do qual serão investigados todos factos que vieram a público nos últimos dias”, respondeu a Procuradoria-Geral da República à agência Lusa.

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Na quarta-feira o dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba foi prestar declarações na Polícia Judiciária e confirmou ter recebido, juntamente com mais nove pessoas um correio electrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonarem o país, senão corriam risco de vida.

Com data de 11 de Agosto, a mensagem foi enviada a partir de um endereço criado num site de e-mails temporários e é assinado por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa.

O Presidente da República recomendou aos democratas “tolerância zero” e “sensatez” para combater o racismo, ao comentar as ameaças de que foram alvo três deputadas e outros sete activistas.

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“Os democratas devem ser muito firmes nos seus princípios e, ao mesmo tempo, ser sensatos na sua defesa. Firmes nos princípios significa uma tolerância zero em relação àquilo que é condenado pela Constituição [da República Portuguesa] , sensatez significa estar atento às campanhas e escaladas que é fácil fazer a propósito de temas sensíveis na sociedade portuguesa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Também o Governo e vários partidos, bem como o presidente da Assembleia da República, repudiaram as ameaças feitas aos activistas e à associação.

 

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