Corpo humano transformado em fábrica de vacinas. A aposta de uma farmacêutica americana

As vacinas contra o novo coronavírus, elaboradas pela farmacêutica norte-americana Moderna, têm como objectivo imunizar a população de uma forma totalmente diferente do normal.

Simone Silva

As vacinas contra o novo coronavírus, elaboradas pela farmacêutica norte-americana Moderna, têm como objectivo imunizar a população de uma forma totalmente diferente do normal, de acordo com um artigo da agência ‘Bloomberg’, que revela que a empresa quer transformar o corpo humano «numa máquina de fazer vacinas».

O método usado pela Moderna passa por aproveitar as células humanas para se tornarem «fábricas de vacinas em miniatura». Em vez de proteínas de vírus, as vacinas contêm instruções genéticas que levam o corpo a produzi-las. Essas instruções são transportadas através do mRNA, ou seja, o ácido ribonucleico responsável pela transferência de informações do ADN até ao citoplasma.

O mRNA-1273 da Moderna consiste numa fita de mRNA que diz ao corpo para produzir a proteína spike que o coronavírus usa para se ligar às células humanas. Se a vacina funcionar como planeado, o organismo começa a produzir as proteínas logo após a injecção, fazendo com que o sistema imunológico reaja e crie anticorpos protectores.

As grandes vantagens das vacinas de mRNA são a rapidez e a flexibilidade. Não são necessárias células vivas ou vírus difíceis de gerir, e a química básica é directa, segundo a ‘Bloomberg’. A vacina da Moderna atingiu a Fase I dos ensaios clínicos em humanos a 16 de Março, apenas 63 dias depois de a empresa começar a desenvolvê-la.

No dia 27 de Julho, o primeiro voluntário no teste de eficácia da empresa recebeu uma injecção. Menos de 12 horas depois, a BioNTech e sua parceira, Pfizer Inc., disseram que também estavam a iniciar um testes de estágio final, nos Estados Unidos, Brasil e outros países.

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Os cientistas aproveitaram a capacidade de resposta rápida do mRNA para criar quatro vacinas ligeiramente diferentes, que compararam nos testes iniciais antes de seleccionar a melhor para testes em larga escala.

Nos testes de Fase I, as vacinas Moderna e BioNTech-Pfizer estimularam o sistema imunológico humano a produzir anticorpos que neutralizam o vírus em experiências de laboratório, um sinal inicial positivo. «Esta é uma plataforma relativamente nova, mas parece ser muito boa», disse Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, depois da publicação dos resultados. «Os anticorpos neutralizantes são o padrão ouro de protecção», acrescentou.

Outro aspecto mencionado no artigo é o facto de as vacinas dificilmente ficarem isentas de efeitos secundários: no ensaio de Fase I da Moderna, todos os 15 pacientes que receberam o tratamento, deram conta de pelo menos um efeito secundário, embora nenhum fosse grave. Três dos 15 pacientes com a dose mais elevada do fármaco apresentaram reacções graves temporárias.

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Até que ponto as vacinas de mRNA realmente previnem a Covid-19 é uma questão que continua desconhecida. Nenhuma vacina baseada num mRNA foi aprovada para qualquer doença, nem sequer chegou a entrar em testes de estágio final, por isso existem poucos dados humanos publicados.

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