O acordo de saída da TAP com a Azul, companhia aérea brasileira de David Neeleman, aprovado na segunda-feira, vai implicar uma redução na ordem dos 42% ao valor da TAP, em três meses, avança o jornal de Negócios, esta terça-feira.
De acordo com a mesma publicação a administração da empresa brasileira acredita que a redução é positiva, tendo em conta «o cenário resultante da crise da Covid-19», pode ler-se na proposta apresentada à assembleia-geral extraordinária.
Foram assim aprovadas na segunda-feira a eliminação dos direitos de conversão em acções das obrigações relativas ao empréstimo da Azul à TAP, realizado em 2016, de 90 milhões de euros, e a alienação da posição da Global AzurAir Projects na TAP pelo “valor total de, ao menos”, 10,5 milhões de euros.
Estas decisões estão relacionadas com a saída da empresa do capital da companhia aérea portuguesa, no âmbito do acordo para a injecção de 1,2 mil milhões de euros na TAP, aprovada pela Comissão Europeia.
Recorde-se que a Azul anunciou no inicio de Julho a venda de 6% da TAP, no âmbito do acordo entre o Estado e os accionistas privados, que “garante a continuação” da empresa.
Assim, a Azul “anuncia ter alcançado um acordo com o Governo português para permitir uma injeção de capital vital na TAP SGPS. O acordo consiste na venda da participação indireta da Azul na TAP de 6%, por aproximadamente 65 milhões de reais [10,8 milhões de euros]” bem como na “eliminação do direito de conversão” das obrigações seniores detidas “pela companhia de 90 milhões de euros com vencimento em 2026”, indicou a Azul, num comunicado emitido na altura.
A companhia indicou ainda que as restantes condições contratuais das obrigações “serão mantidas, incluindo o ‘status’ de credor sénior, taxa de juros anual de 7,5% e o direito à constituição das garantias previstas nos respetivos termos e condições, como o programa de fidelidade da TAP”.
A empresa adiantou que o valor destas obrigações, mais juros acumulados do título, é de aproximadamente 680 milhões de reais (113,3 milhões de euros), segundo a mesma nota.
O Governo anunciou também na mesma altura que tinha chegado a acordo com os accionistas privados da TAP, passando a deter 72,5% do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros.
“De forma a evitar o colapso da empresa, o Governo optou por chegar a acordo por 55 milhões de euros”, referiu o ministro das Finanças, João Leão, numa conferência de imprensa conjunta com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em Lisboa.
O Estado aumenta a participação na TAP dos actuais 50% para 72,5%.





