Afinal, bloqueios impostos pela pandemia terão impacto «insignificante» na crise climática

Os bloqueios impostos pelo novo coronavírus em todo o mundo causaram quedas acentuadas nas emissões de carbono, contudo o impacto será «insignificante» na crise climática.

Simone Silva

Os bloqueios impostos pelo novo coronavírus em todo o mundo causaram quedas acentuadas nas emissões de carbono, contudo o impacto será «insignificante» na crise climática, devido à ligeira redução do aquecimento global de apenas 0,01 graus até 2030, concluiu um estudo recente citado pelo ‘The Guardian’.

Por outro lado, a análise mostra também que concentrar o financiamento do governo pós-Covid-19 numa recuperação verde e evitar os combustíveis fósseis, vai dar ao mundo uma boa oportunidade de manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5 graus.

Os cientistas consideram que este é o momento do «tudo ou nada» para nos mantermos abaixo do limite, em comparação com os níveis pré-industriais, acordado pelos governos mundiais, evitando assim consequências mais graves causadas pelo aquecimento global.

Este novo estudo, publicado na revista ‘Nature Climate Change’, tem por base, principalmente, os dados de mobilidade recentemente disponíveis por parte da Google e da Apple, que oferecem informações quase em tempo real sobre os padrões de viagens e trabalho, dando uma ideia do nível de emissões.

Os dados incluem 123 países que, em conjunto, são responsáveis ​​por 99% das emissões de combustíveis fósseis. Os investigadores concluíram que as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) caíram mais de 25% em Abril de 2020 e as emissões de óxidos de nitrogénio (NO x ), mais de 30%.

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Estas quedas mostram que mudanças rápidas no comportamento das pessoas podem fazer grandes diferenças nas emissões a curto prazo, contudo os cientistas defendem que esses bloqueios são impossíveis de manter, o que torna necessárias mudanças em toda a economia para torná-la mas sustentável.

«O efeito directo do bloqueio causado pela pandemia será insignificante»», consideram os investigadores da Universidade de Leeds. «Em contraste, com uma recuperação económica direccionada para estímulos sustentáveis e reduções nos investimentos em combustíveis fósseis, é possível evitar um aquecimento global futuro de 0,3 graus até 2050», acrescentam.

A temperatura média global em 2019 estava 1,1 ° C acima da média de longo prazo e mesmo com as actuais promessas de corte de emissões, espera-se um aumento adicional de 0,6 graus até 2050. «Agora é o tudo ou nada para a meta de 1,5  graus», disse um dos autores do estudo, reforçando ainda que «esta é uma oportunidade única para realmente mudar ao rumo da sociedade».

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