OMS alerta: «Comunidades têm de reduzir taxa de transmissão da Covid-19 para poder reabrir as escolas»

«A pandemia da Covid-19 expôs a forma como a desinformação representa uma das maiores ameaças à segurança dos nossos tempos», sublinha a OMS.

Simone Silva

No habitual, e diário, ponto da situação quanto à evolução da pandemia do novo coronavírus realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a tónica foi colocada na criação de directrizes para determinar quando e como as escolas devem reabrir.

Segundo afirmou, esta quinta-feira, Maria Van Kerkhove, especialista em doenças infecciosas, estas diretrizes têm por base em factores específicos, nomeadamente, o «risco da doença afectar crianças, o que já sabemos que pode acontecer».

«Na maior parte dos casos as crianças tem apenas uma doença ligeira, ainda assim algumas chegaram a morrer e sabemos que as crianças podem transmitir o vírus, mas ainda estamos a aprender», sublinha a responsável.

Van Kerkhove reforçou ainda que «as escolas são um universo comunitário, se existe transmissão comunitária, pode haver também transmissão nos estabelecimentos de ensino. Não estamos só preocupados com as crianças mas com todos os que trabalham dentro da escola».

«Uma comunidade deve diminuir a taxa de transmissão para poder reabrir as escolas», afirma a especialista enumerando também outros factores a ter em conta, como a reorganização das turmas, «quantas crianças existem em cada sala de aula, se é possível cumprir distância social, lavar as mãos».

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«Se o vírus continua a circular dentro da comunidade, as escolas são parte dela e por isso o vírus pode entrar nos estabelecimentos e há que ter em conta todos esses factores», refere a responsável da OMS.

Na sua intervenção de hoje, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou que nos últimos meses «a pandemia da Covid-19 expôs a forma como a desinformação representa uma das maiores ameaças à segurança dos nossos tempos».

O responsável considera que «a desinformação pode espalhar-se mais rapidamente do que o próprio vírus», refere recordando que a OMS tem trabalhado para divulgar informações precisas e, desde Janeiro, já foram inúmeras as conferências de imprensa para travar a disseminação de conteúdos falsos.

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No que diz respeito à resolução dos surtos da doença, Tedros indica que apesar de o continente americano estar no epicentro do vírus, «nunca é tarde para reverter os surtos e muitos países já o fizeram», afirma acrescentando: «Nenhum país pode lutar sozinho contra a Covid-19. A melhor opção é render-se à ciência e à solidariedade, juntos podemos superar a pandemia», sublinhou.

O responsável refere ainda que «não existe uma solução infalível para a Covid-19 e pode nunca haver». Relativamente a uma eventual vacina, Tedros indica que «há esperança, mas sem conhecer os resultados dos ensaios clínicos não podemos ter a certeza».

«O nacionalismo das vacinas não é bom, não nos vai ajudar. O mundo está globalizado. Alguns países não conseguem recuperar-se sozinhos, têm de o fazer em conjunto com o resto do mundo. Não é caridade», sublinha o director da OMS.

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