CTT fecham primeiro semestre com perdas de 2 milhões de euros

A área de negócio de Correio foi muito afetada pelo confinamento e pelo arrefecimento da economia desde a segunda metade do mês de março até maio, em consequência da COVID-19.

Sónia Bexiga

O resultado líquido dos CTT – Correios de Portugal foi de -2 milhões de euros, que compara com lucro de 9 milhões de euros no primeiro semestre de 2019, impactado pela evolução negativa do EBIT, parcialmente compensada pelo comportamento positivo do imposto sobre o rendimento do período, avança a empresa.

Segundo detalham os CTT, a área de negócio de Correio foi muito afetada pelo confinamento e pelo arrefecimento da economia desde a segunda metade do mês de março até maio, em consequência da COVID-19. E esta situação implicou a redução do horário de funcionamento das lojas dos CTT que se traduziu numa menor procura de serviços B2C.

Também no segmento B2B verificou uma redução da atividade, com particular destaque para os setores da banca e ‘utilities’ e, ainda, da Administração Pública pelo encerramento ou suspensão da atividade de diversos organismos públicos e preparadores de correio.

Assim, os rendimentos operacionais de Correio registaram uma queda de 13,7%, para 202,8 milhões de euros.

Os rendimentos operacionais de Expresso e Encomendas atingiram 85,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, crescendo 12,3 milhões de euros (+16,9%) face ao período homólogo de 2019. No segundo trimestre de 2020 alcançaram 47,8 milhões de euros, um aumento de 11,7 milhões de euros (+32,5%) face ao trimestre homólogo de 2019, que evidencia o forte crescimento conseguido neste período, em que a empresa aumentou de forma consistente e significativa as entregas B2C.

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Assim, no segundo trimestre de 2020 a área de Expresso e Encomendas registou o valor de rendimentos mais alto de sempre e o maior EBITDA dos últimos cinco anos.

A contribuir para os rendimentos operacionais estiveram as áreas de negócio de Banco CTT (63% acima do período homólogo do ano passado), Expresso e Encomendas (+16,9%) e Serviços Financeiros e Retalho (+1,2%), levando a que a redução nos rendimentos operacionais, devido à queda do Correio e Outros, fosse de 1,6% face ao primeiro semestre de 2019.

O EBITDA atingiu 33,4 milhões de euros, o que representa uma queda de 28% face ao mesmo período de 2019, fortemente impactado pelo Correio e Outros. As restantes áreas de negócio cresceram no primeiro semestre de 2020 e, em junho, o EBITDA consolidado já voltou a crescer (+7,9%), continuando a robusta trajetória iniciada em janeiro e fevereiro de 2020.

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Já a área de Expresso e Encomendas registou o melhor trimestre de sempre em termos de rendimentos, atingindo 47,8 milhões de euros. O EBITDA de 2,2 milhões de euros nesta área de negócio no segundo trimestre de 2020 representa o melhor trimestre dos últimos cinco anos. De destacar a performance em Portugal, com um EBITDA de 3,5 milhões de euros.

Os CTT sublinham ainda o crescimento na área de negócio de Expresso e Encomendas que explicam com um conjunto de iniciativas que visaram acelerar e alavancar soluções que ajudassem a estimular a recuperação da atividade perdida e criando oportunidades de crescimento, nomeadamente os serviços CTT Comércio Local, Criar Lojas Online, entrega de medicamentos ao domicílio ou CTT Expresso para Hoje, entre outros.

Banco CTT

Os rendimentos do Banco CTT atingiram 38,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, um crescimento de 14,8 milhões de euros (+63,0%) face a igual período do ano anterior, sendo 11,2 milhões de euros provenientes da 321 Crédito, adquirida em maio de 2019. Mesmo excluindo esse efeito inorgânico, os rendimentos ascenderiam a 22,1 milhões de euros, mais 3,7 milhões de euros (+19,8%) do que no período homólogo.

O crescimento dos rendimentos contou com a performance positiva da margem financeira no primeiro semestre deste ano, 12,3 milhões de euros (+135,3%) acima do mesmo período de 2019, crescimento esse que teria sido de 3,2 milhões de euros (+63,2%) sem o referido contributo não-orgânico.

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A performance comercial do Banco CTT permitiu o incremento dos depósitos de clientes para 1 512 milhões de euros (mais 42,1% do que no primeiro semestre de 2019 e mais 17,8% do que no final do ano de 2019) e do número de contas, para 489 mil contas (mais 81 mil do que no primeiro semestre de 2019 e mais 28 mil que no final do ano de 2019).

O que esperar do 2.º semestre?

No pressuposto de recuperação gradual da economia e melhoria da situação pandémica, os CTT preveem “a manutenção da dinâmica positiva das alavancas de crescimento da empresa”.

Embora prevendo que o Correio sofra quebras nas correspondências (extratos) e no correio publicitário, que deverão conduzir a uma queda de dois dígitos do tráfego de correio endereçado no exercício, espera um desempenho continuadamente positivo do Expresso e Encomendas, do Banco CTT e dos Serviços Financeiros.

O Expresso e Encomendas deverá manter-se como o principal motor de crescimento, impulsionado pela continuada progressão do comércio eletrónico, em aproximação da média dos mercados desenvolvidos, e pelo contínuo aumento de quota de mercado.

Sobre o Banco CTT avança que está “suficientemente provisionado e bem capitalizado” para enfrentar potenciais desafios no segundo semestre de 2020 (de acordo com as atuais previsões) tais como a diminuição do PIB e o aumento do desemprego em resultado da pandemia.

Sobre os Serviços Financeiros, acredita que beneficiarão da crescente tendência de poupança da população portuguesa, o que constitui um bom prognóstico para a colocação da dívida pública, pelo que todos, com a exceção do Correio, deverão ver os rendimentos e o EBITDA a aumentar.

No segundo semestre de 2020, os CTT pretendem ainda lançar várias iniciativas de melhoria operacional com enfoque nas margens e nos gastos. E esperam atingir um EBITDA superior a 90 milhões de euros e um EBIT de mais de 30 milhões de euros no exercício de 2020.

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